Sócrates admite todas as hipóteses mas base do programa é o do PS

Sócrates admite todas as hipóteses mas base do programa é o do PS

 

Lusa/AO Online   Nacional   15 de Out de 2009, 08:52

O primeiro-ministro, José Sócrates, admitiu abertura a todas as possibilidades no diálogo com a oposição sobre o novo Governo, mas salientou que a base da futura governação "tem de ser o programa" do PS, vencedor das eleições.

"Parto de espírito aberto. Isso significa abertura a todas as possibilidades", afirmou José Sócrates numa entrevista à Visão, realizada antes de iniciar os encontros com os partidos da oposição.

Sócrates receceu quarta-feira os líderes do PSD, Manuela Ferreira Leite, e do CDS-PP, Paulo Portas. Hoje, reúne-se em São Bento com o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, de manhã, e com o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, à tarde.

Tanto Manuela Ferreira Leite como Paulo Portas indicaram à saída dos encontros que não farão coligações de Governo com o PS.

O PSD "não está disponível nem para coligações nem para acordos parlamentares. Mas estamos totalmente disponíveis para fazer uma oposição responsável", afirmou Manuela Ferreira Leite.

Por sua vez, Paulo Portas disse ter confirmado ao primeiro-ministro indigitado e líder do PS que o "CDS-PP será oposição".

"Foi esse o mandato que recebemos. Seremos uma oposição à política socialista no governo de Portugal", declarou Paulo Portas.

Na entrevista à Visão, José Sócrates reconheceu que a "situação política mudou" e garantiu não excluir nada, ao ser questionado se admitia a possibilidade de não formar um Governo minoritário.

"O PS tem uma maioria relativa. Isso exige capacidade de diálogo reforçado e um espírito de compromisso", disse.

"A isso chama-se um acto amistoso. Estender a mão e procurar o diálogo com os partidos. O que não se pode é dialogar sozinho. É preciso que os outros queiram dialogar", afirmou, frisando que o "País precisa de um Governo para quatro anos", que garanta "estabilidade política".

"Isso impõe um espírito de compromisso a todos os partidos, não só ao que ganhou as eleições (...) Acho que se pode ser oposição sem se usarem os instrumentos políticos que ameaçam a governação", disse.

Para Sócrates, "era o que faltava" que o partido vencedor das eleições "governasse com o programa dos partidos que perderam as eleições".

"Isso não pode ser. O que é bom é encontrar um compromisso", disse, embora referindo não abdicar dos compromissos assumidos pelo PS, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, uma lei que será apresentada no Parlamento.

Sobre as eleições, disse que "quem saiu derrotado foram aqueles que acharam que deviam travar essa batalha no campo do ataque pessoal", destacando o PSD.

"O PSD tem uma escolha estratégica para fazer, porque, ao longo destes anos, perdeu duas eleições com votações abaixo dos 30 por cento e, das duas vezes, escolheu a via do ataque pessoal e do negativismo. Isso merece alguma reflexão pelo PSD", afirmou.

Sobre o seu relacionamento com o Presidente da República, afirmou que os últimos encontros com Aníbal Cavaco Silva "têm corrido bem" e garantiu ter sempre cumprido "todos os compromissos" com o chefe de Estado.

José Sócrates afirmou ainda que o próximo Governo terá como prioridade "combater e vencer a crise económica" para "colocar Portugal na rota do crescimento e do emprego".


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