Schroders espera cortes de taxas de juro nos próximos meses


 

Lusa / AO online   Economia   12 de Nov de 2007, 12:03

A Schroders, líder mundial da gestão de activos, estima que os bancos centrais europeu e norte-americano cortem as taxas de juro até ao final do primeiro semestre de 2008, numa conjuntura de abrandamento económico dos dois lados do Atlântico.
“Esperamos que a Fed [Reserva Federal norte-americana] baixe as taxas em Dezembro e em Janeiro, em 25 pontos base em cada mês, e que o BCE [Banco Central Europeu] efectue também duas reduções, em Março e Junho de 2008, também de 25 pontos cada”, afirmou o economista-chefe da Schroders, em Londres, à margem do ‘European Media Day’ deste ano.
A suportar estas estimativas estão, de acordo com Keith Wade, os sinais de desaceleração económica na Europa e as dúvidas sobre se os Estados Unidos conseguirão evitar uma recessão, devido às crises dos mercados de crédito e imobiliário.
“Reduzimos as estimativas para o Produto Interno Bruto [PIB] norte-americano para 1,2 por cento no quarto trimestre, razão pela qual vemos as taxas de juro a cair”, afirmou Wade.
“O risco de recessão nos Estados Unidos é real. A turbulência nos mercados irá enfraquecer a actividade” na maior economia do mundo, “com o imobiliário e o consumo a abrandarem ainda mais”, referiu.
No entanto, Keith Wade acredita que esse cenário pode ser evitado.
“A solidez do sector empresarial e da economia global [nomeadamente a dos países emergentes] sugere que a recessão pode ser evitada”, isto, assumindo que “os problemas nos mercados de crédito abrandam no quarto trimestre deste ano”, afirmou.
Para o economista, a crise do mercado hipotecário de elevado risco norte-americano (‘subprime’) não trouxe só más notícias aos mercados.
Keith Wade considera que o ‘subprime’ constitui-se também como uma “oportunidade”, já que levou os bancos centrais a baixarem as taxas de juro e, em consequência disso, permitiu às pessoas com empréstimos puderem suportar o pagamento das suas hipotecas.
No caso da Europa, a expectativa de dois cortes na taxa de juro de referência assenta também numa redução da taxa de crescimento do PIB esperada para este ano para a Zona Euro, para os 2 por cento, numa economia afectada pelos problemas dos Estados Unidos e pela progressiva valorização do euro face ao dólar.
Ao contrário do efeito de estímulo nas empresas exportadoras norte-americanas, a queda da ‘nota verde’ vai continuar a penalizar as companhias europeias que exportam para os Estados Unidos ou para países onde a moeda de referência é o dólar.
Este facto, conjugado com os efeitos da crise do mercado de crédito em instituições financeiras europeias e na confiança dos investidores, vai penalizar a economia do “velho continente”.
“O crescimento económico está a abrandar na Europa, as taxas têm de descer”, sublinhou Lisa Coleman, responsável pela área de estratégia de crédito global da Schroders.
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