Médio Oriente

Saúde pública em risco em Gaza


 

Lusa / AO online   Internacional   21 de Nov de 2007, 17:21

Se Israel não retomar o fornecimento de combustível a Gaza rapidamente pode registar-se uma crise na saúde pública no território palestiniano, alerta a organização internacional de luta contra a pobreza Oxfam no seu último relatório sobre a situação.

"O fornecimento de combustível a Gaza terá de ser retomado imediatamente se quisermos evitar uma crise na saúde pública", defendeu o director-executivo da Oxfam International, Jeremy Hobbs, a propósito do relatório divulgado terça-feira a que a Lusa teve acesso.

A Oxfam indica no relatório que os riscos para a saúde pública em Gaza têm aumentado devido à redução por Israel do fornecimento de combustível, explicando que, de acordo com o seu parceiro no território, os serviços municipais de água e saneamento (CMWU), "15 por cento da população de Gaza (225.000 pessoas) não está a receber a quantidade adequada de água potável devido à falta de gasóleo".

"O acesso a água limpa é um direito humano fundamental e não deve ser usado como um instrumento para uma punição colectiva da população de Gaza", salientou Jeremy Hobbs.

O organização declara-se igualmente preocupada com as últimas informações do gabinete do procurador-geral israelita, que autorizou o plano do Ministério da Defesa de reduzir a quantidade de electricidade fornecida à Faixa de Gaza.

No dia 27 de Outubro, o Ministério da Defesa israelita anunciou a redução no fornecimento de combustíveis à Faixa de Gaza a partir do dia seguinte.

 "A partir de domingo (dia 28 de Outubro) serão reduzidas as entregas de combustíveis e nos próximos dias efectuaremos cortes de electricidade", disse o porta-voz do ministro da Defesa de Israel, Ronen Moshe.

De acordo com o Ministério da Defesa israelita, os cortes periódicos de electricidade e a redução do fornecimento de combustível à Faixa de Gaza é uma resposta ao disparo de mísseis a partir do território contra Israel.

Esta decisão surgiu na sequência da declaração oficial por Israel da Faixa de Gaza, controlada pelo movimento islamita Hamas, como "entidade hostil", no dia 19 de Setembro.

Tal implicava, segundo o Gabinete de Assuntos Políticos e de Segurança de Israel, a redução da cooperação do Estado hebreu com o território palestiniano, traduzida, por exemplo, na redução "ao mínimo" do abastecimento de electricidade, combustíveis e outros serviços ou mercadorias que Israel vende ao território, de 360 quilómetros quadrados e habitado por 1,5 milhões de pessoas.

Na altura, a ministra dos Negócios Estrangeiros israelita, Tzipi Livni, explicou que a decisão israelita significava que "qualquer necessidade não humanitária" da Faixa de Gaza não terá resposta de Israel, garantindo que o Estado hebreu assumiria as suas "responsabilidades" em relação às necessidades humanitárias.

"Nós não iremos abandonar os palestinianos inocentes em Gaza e vamos desenvolver todos os esforços possíveis para responder às suas necessidades humanitárias", afirmou Livni.

De acordo com a Oxfam, nas duas primeiras semanas de Novembro a CMWU tinha uma média de sete reservatórios de água na cidade de Gaza que não funcionavam ou funcionavam parcialmente devido à falta de gasóleo, o que afectava directamente 50.000 pessoas que recebiam menos 75 por cento de água.

Por outro lado, o sistema de água e saneamento encontra-se numa situação vulnerável devido às restrições de entrada no território palestiniano de variados produtos, como peças sobressalentes e outros materiais necessários para reparar e fazer a manutenção daquele sistema, adianta a organização.

Segundo esta, o Ministério de Defesa israelita tem "repetidamente negado a acesso" àquelas peças desde Junho e "quando começar a estação das chuvas será necessário mais gasóleo e electricidade para fazer funcionar o sistema de esgotos".

A CMWU é o único fornecedor de água na Faixa de Gaza e depende do gasóleo para fazer funcionar os geradores para os 135 poços de água, 33 estações de extracção e três unidades de tratamento de esgotos que administra.

Para isso, a CMWU necessita de 150.000 a 250.000 litros de gasóleo por mês e "no mês de Outubro registou um défice de 40.000 litros", indica ainda a Oxfam.

"Civis de Gaza estão a ser punidos por crimes que não cometeram, numa clara violação da lei internacional humanitária. Esta política ilegal de punição colectiva tem que parar imediatamente", salientou Jeremy Hobbs.


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