SATA garante diálogo com sindicato dos tripulantes e apela à responsabilidade

A administração da SATA garante que tem mantido o diálogo com o sindicato dos tripulantes e reiterou “disponibilidade” para continuar a “procurar soluções”, apelando à “responsabilidade” numa altura “desafiante” para a Azores Airlines



Numa comunicação interna dirigida aos tripulantes, à qual a agência Lusa teve acesso, a administração da SATA afirma o “compromisso de melhorar as condições de trabalho” e “valorizar o contributo” daqueles profissionais, apresentando várias áreas em que foram introduzidas melhorias laborais.

“O conselho de administração tem mantido o diálogo com o sindicato, através de reuniões e contactos de trabalho, procurando responder às questões colocadas e encontrar soluções que sejam compatíveis com o acordo de empresa, com as necessidades operacionais e com a nossa situação económico-financeira”, lê-se na mensagem enviada aos tripulantes.

No sábado, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) admitiu, na sequência de uma assembleia-geral, convocar uma greve de três dias na Azores Airlines se não forem dadas respostas às reivindicações dos trabalhadores.

Na comunicação interna, a administração destaca a importância de “assegurar que todos dispõem de informação factual e completa”, admitindo que “nem todas as situações podem ser resolvidas de imediato”, mas prometendo “determinação em procurar soluções concretas”.

A SATA realça que tem “vindo a partilhar com os parceiros sociais” a evolução da privatização da Azores Airlines e tem “explicado as razões pelas quais determinadas informações não podem ser divulgadas em todas as fases do processo”.

“Importa sublinhar o envolvimento dos parceiros sociais na construção da versão do caderno de encargos. Paralelamente às matérias objeto de diálogo com o sindicato, a companhia tem vindo a implementar outras medidas destinadas a melhorar as condições”, lê-se na mensagem.

A administração da SATA alerta que o atual “momento aconselha elevada responsabilidade de todos para garantir o futuro” devido à privatização da Azores Airlines e à “situação económica e financeira do grupo”, uma situação “agravada pelo aumento dos custos dos combustíveis e pela retração de alguns mercados”.

“O nosso compromisso é continuar a ouvir os tripulantes”, frisa a administração.

Sobre o reforço da base de Lisboa, a SATA defende que algumas das condições apresentadas pelo sindicato para a transferência de 24 tripulantes oriundos de Ponta Delgada “não se mostraram compatíveis” com o acordo de empresa.

“O trabalho desenvolvido permitiu, contudo, encontrar um equilíbrio para a transferência de 12 tripulantes para a base de Lisboa, dentro das condições consideradas aplicáveis, numa solução que procurou ir mais ao encontro das necessidades dos tripulantes do que às necessidades da empresa”.

A SATA revela que a “solução final” encontrada para os voos de longo curso “corresponde à distribuição proposta pelo sindicato” (sete voos de longo curso semanais para os tripulantes de cabine e 10 para Lisboa e quatro para Ponta Delgada no caso dos chefes de cabine) e destaca a revisão do escalonamento que passou a desconsiderar os “períodos de ausência por doença”.

A administração entende que o acordo de empresa prevê a “coincidência do dia de aniversário com um dia de folga” (e não um “dia adicional de folga”) e admite o pagamento de ajudas de custo em “ocorrências específicas” de voos cancelados, apesar de considerar que aquelas situações têm “um enquadramento distinto do tempo de deslocação”.

A SATA revela também que propôs a distribuição de um pacote de bolachas a bordo para os passageiros em voos de longo curso, mas a "proposta foi recusada pelo sindicato" que a considerou uma "carga extra de trabalho".

Os associados do SNPVAC, reunidos na sexta-feira, em Lisboa, decidiram dar à Azores Airlines um prazo de dez dias para receberam “respostas e soluções concretas e satisfatórias”, segundo uma nota de imprensa.

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A adesão à greve dos trabalhadores da administração pública ronda os 70% nos Açores. Os setores da educação e saúde estão a ser os mais afetados na greve convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos (STTS)