Taça de Portugal

Santa Clara faz história na Taça de Portugal

O Santa Clara apurou-se, pela primeira vez no seu já longo e vasto historial, para os oitavos-de-final da Taça de Portugal, depois de eliminar o União da Madeira por 2-0, em partida da quarta eliminatória


Ao longo dos anos, os encarnados de Ponta Delgada apenas tinham conseguido passar três rondas na festa do futebol, situação que está consumada com a vitória de ontem sobre os madeirenses .

Por via de haver menos uma eliminatória na prova (pelo facto de a Federação Portuguesa de Futebol ter retirado a possibilidade de participação às equipas dos regionais ), a equipa do Santa Clara consegue fazer história numa prova onde tradicionalmente ficava de fora logo de início e, quase sempre, frente a adversários de escalões inferiores.

Desgastados, física e psicologicamente, devido à sucessiva carga de jogos que a equipa tem nas pernas, Vítor Pereira apelou à inteligência dos jogadores na forma de conduzir o jogo e à sua capacidade de sacrifício, uma vez que apostou no mesmo onze que subiu de início para o encontro do último domingo frente ao Boavista.

Evitar surpresas desagradáveis e tentar resolver a eliminatória nos 90 minutos foram os objectivos traçados pela equipa técnica, que não escondeu, na véspera da partida, a expectativa em saber qual a reacção dos jogadores mas também do opositor.

O União da Madeira, por seu turno, mostrou que não trouxe a lição bem estudada de casa. Deixou-se adormecer no jogo de embalo imposto pelos encarnados e os espaços criados no terreno permitiram ao Santa Clara trocas de bola pausadas, que serviram essencialmente para que conseguissem o efectivo controlo do jogo - e quiçá do adversário - bem como da gestão.

Sem precisar de carregar muito no acelerador, aos poucos o Santa Clara foi descobrindo que no eixo defensivo dos unionistas surgiam brechas que poderiam muito bem ser aproveitadas pelos homens mais avançados.

Rincón e Vouho, com as sucessivas e rápidas trocas de posições na linha avançada, souberam semear a confusão nas marcações madeirenses e deste modo, logo à primeira oportunidade de que dispuseram, os encarnados chegaram ao golo por intermédio de Vouho, após um brilhante trabalho de Ruy Netto na direita.

Em boa verdade o golo podia não se justificar, mas premiava a inteligência encarnada, ao mesmo tempo que era um duro castigo à passividade dos madeirenses que só a partir dessa altura começaram a esboçar tentativas de realmente entrar em jogo.

A tentativa - frustrada - de desvio de Ruben Andrade (23 minutos, os remates de Tiago (33’) e Luís Pinto (39’) à figura de Alemão foram muito pouco para uma equipa que pretendia discutir a eliminatória e que a viu perdida no minuto de desconto concedido pelo árbitro antes do intervalo, quando deu demasiado espaço na área a Vouho, com o costa-marfinense a ter tempo para bisar com enorme tranquilidade.

O resultado ao intervalo estava feito, até porque no segundo tempo o Santa Clara procurou gerir o tempo, concedeu domínio territorial ao União da Madeira que nunca soube trilhar os melhores caminhos para a baliza de Alemão, que se mostrou sempre com altos níveis de concentração.

O árbitro Bruno Esteves, de Setúbal, passou despercebido na partida.

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