“É uma valorização cultural. Fechámos o projeto a nível nacional e estamos a trabalhar na candidatura a Património da UNESCO. Vai evoluir durante este ano e no próximo”, disse à agência Lusa o presidente da Comissão Administrativa do Movimento de Romeiros de São Miguel, Rui Melo.
As romarias de São Miguel foram, em março de 2025, inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural, uma inscrição aprovada pelo instituto público Património Cultural, que destacou a relevância cultural, histórica e identitária dessa manifestação.
Os primeiros ranchos de romeiros de São Miguel partem no fim de semana a seguir à Quarta-feira de Cinzas e os últimos regressam às suas localidades na Quinta-feira Santa.
Em declarações à agência Lusa, Rui Melo adiantou que está a ser elaborado um trabalho que integrará o processo de candidatura internacional, reforçando o reconhecimento desta manifestação religiosa com mais de 500 anos.
Rui Melo sublinhou que a candidatura à UNESCO surge numa altura em que se tem intensificado a produção de estudos e obras dedicadas às romarias, trabalhos que valorizam este património que foi passado de "geração em geração”.
"Existem vários irmãos romeiros, e alguns com responsabilidades, o caso do irmão mestre Carlos Vieira, que lançou a obra sobre os 500 anos das romarias de São Miguel, em bilingue (português e inglês), com o objetivo fundamental de ser um instrumento para vir a enriquecer a candidatura a património da Unesco", explicou.
Rui Melo sublinhou que “será um reconhecimento histórico" desta manifestação secular.
"Felizmente, já começam a existir outras romarias noutras ilhas e noutros concelhos, mas as de São Miguel são as mais antigas. Têm uma vertente histórica que sobreviveu estes 500 anos e que vem credibilizar as romarias", acrescentou.
O movimento tem despertado interesse académico internacional, e, segundo Rui Melo, um professor de uma universidade da Polónia já tem integrado um dos ranchos de romeiros, e um sacerdote polaco, que já integrou o Rancho da Ribeira Quente, desenvolveu um doutoramento sobre a temática.
A inscrição no inventário nacional resultou de uma proposta apresentada pelo Movimento de Romeiros de São Miguel, baseada numa investigação coordenada por Carmen Ponte, com a colaboração da associação e do fotógrafo Fernando Resendes.
"Este trabalho valoriza este património que foi passado de geração em geração e, que, ao longo de cinco séculos, tem marcado a identidade religiosa e cultural de São Miguel", realçou o presidente da Comissão Administrativa do Movimento de Romeiros de São Miguel.
