Rio acusa Governo de ter montado um "circo mediático" e de não "ser equidistante"

Rio acusa Governo de ter montado um "circo mediático" e de não "ser equidistante"

 

AO Online/ Lusa   Nacional   17 de Ago de 2019, 00:24

O presidente do PSD acusou esta sexta feira o Governo de ter “montado um circo mediático” em torno da greve dos motoristas e apelou ao Executivo para que seja um “árbitro a sério” nas negociações.

“O PSD sempre disse que este conflito só pode ter uma solução e essa solução é justamente a mesa das negociações, como nós estamos num conflito entre privados e não num conflito no setor público, o Governo aqui tinha a obrigação de se portar como um mediador, ou seja, de ser um árbitro nesta questão”, disse Rui Rio em conferência de imprensa, na sede do Porto.

Mas, na opinião do social-democrata, o Governo de António Costa optou por fazer exatamente o contrário, por não ser "equidistante", montando um “circo mediático” e colocando-se num dos “lados da barricada”.

“O PSD apela à boa fé de ambas as partes, quer dos sindicatos, quer da entidade patronal, e apela à isenção do Governo de modo a que possa ser um árbitro a sério, numa matéria que precisa de um árbitro”, declarou Rui Rio.

Dando exemplo do "alarmismo" que considerou que foi semeado pelo Governo, o líder do PSD salientou que os ministros deram a greve como inevitável e que o Governo recomendou com mais de duas semanas de antecedência que os portugueses começassem a atestar os depósitos. Foi, sublinhou, anunciada a requisição das Forças Armadas e das forças de segurança e foi convocado um "gabinete de crise" para dois dias antes da greve, agitando um "sentimento de revolta" dos portugueses contra os motoristas.

Na opinião de Rui Rio, o Governo fez “todo um filme”, situação que já tinha acontecido antes das eleições europeias, aquando do “drama que montou” sobre o dossiê dos professores, disse, considerando que a "tática" visou tirar proveitos eleitorais.

Mas, com o agudizar do conflito, Rui Rio considerou que o Governo de António Costa percebeu que a sua estratégia estava a falhar e que as pessoas começaram a entender que não era isento e não mediava, decidindo mudar de “tática” e “levantar o circo” ao quarto dia de greve.

O presidente do PSD entendeu que, agora, o Governo começou a empenhar-se a sério, a fomentar o diálogo, a ser mais imparcial e a colocar-se mais equidistante dos protagonistas, estando agora no “caminho certo”.

Caminho esse que, relembrou, o PSD sempre defendeu em posições públicas, quer a 8, 10 ou 14 agosto, para que se adiasse ou suspendesse a greve e se tentasse um acordo.

Rui Rio admitiu ainda a possibilidade de o Presidente da República poder intervir no sentido da resolução do conflito laboral, num momento posterior e caso o Governo "não esteja capaz" de fazer o papel de árbitro.

“E se o senhor primeiro-ministro e o Governo não estiverem capazes de ser árbitros, teremos sempre o recurso ao Presidente da República, que pode ser ele, numa circunstancia a seguir, o árbitro que o Governo não conseguir ser a partir do momento em que está a tentar ser”, concluiu.

O SNMMP admitiu hoje suspender a greve a partir do início de uma reunião de mediação "a ser convocada pelo Governo" e até ao plenário de motoristas marcado para domingo.

"Porque queremos deixar claro ao país e às partes que sempre estivemos de boa-fé neste processo, anunciamos, desde já, a suspensão temporária da greve a partir da hora de início da reunião a ser convocada pelo Governo, suspensão essa que produzirá os seus efeitos até ao Plenário Nacional de Motoristas de Cargas Perigosas, marcado para o próximo domingo, momento em que os motoristas irão decidir pelo seu futuro", indica o SNMMP em comunicado divulgado hoje.

O sindicato explica que "considera que face à nomeação, hoje, de um Mediador da DGERT [Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho] para dar início às negociações com a ANTRAM, entendeu que estão criadas as condições necessárias para todas as partes se sentarem à mesa".

Os motoristas têm estado em greve desde segunda-feira (12 de agosto), uma paralisação que começou por ser convocada por dois sindicatos, o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), mas o SIMM desconvocou o protesto na quinta-feira à noite.

A decisão do SIMM surgiu perto das 23:00, na sequência de uma reunião no Ministério das Infraestruturas, gabinete onde se encontravam também dirigentes da ANTRAM.

Esta decisão deixou o SNMMP sozinho no protesto, depois de esta estrutura sindical ter pedido na quinta-feira a mediação do Governo para chegar a um entendimento com a ANTRAM.

A greve fora convocada com o objetivo de reivindicar junto da ANTRAM o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

Na segunda-feira, ao final do primeiro dia de greve, o Governo decretou uma requisição civil, parcial e gradual, alegando incumprimento dos serviços mínimos.


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