Mercado dos combustíveis

Revendedores e consumidores querem regulação


 

Lusa/AOonline   Nacional   28 de Dez de 2008, 10:35

Cinco anos depois do início da liberalização dos combustíveis, a associação das empresas petrolíferas diz que ela permitiu a diferenciação de preços nos postos, mas os representantes dos revendedores e consumidores preferiam ter um mercado regulado.
Desde a liberalização, a 1 de Janeiro de 2004, que os preços do gasóleo e da gasolina sem chumbo 95 octanas, os de maior consumo em Portugal, não pararam de subir, segundo os dados da Direcção Geral de Energia e Geologia (DGEG).

    O preço da gasolina sem chumbo 95 octanas subiu 19 por cento, de 95 cêntimos o litro na primeira semana de Janeiro de 2004, para 1,129 euros o litro na semana terminada a 12 de Dezembro deste ano.

    Pelo meio, o preço da gasolina sem chumbo 95 octanas atingiu um pico de 1,525 euros o litro em meados de Julho, altura em que o petróleo também atingiu preços recordes.

    O preço do gasóleo rodoviário subiu 48 por cento desde os 70 cêntimos de Janeiro de 2004 até ao 1,034 euros registados na semana terminada a 12 de Dezembro deste ano, com um pico de 1,428 euros o litro alcançado também em meados de Julho.

    Estes dados levaram os responsáveis pela Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis (ANAREC), Augusto Cymbron, e da DECO, Jorge Morgado, a afirmar à Lusa que a liberalização dos combustíveis não valeu a pena.

    Apenas o secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO), José Horta, refere que a liberalização permite a actual diferenciação do preço entre os postos de abastecimento.

    “A liberalização significou a possibilidade de poder diferenciar o preço entre os postos”, afirmou José Horta à Lusa.

    “O regime antigo estabelecia um preço máximo de venda ao público e isso significava que todos se encontravam a esse preço máximo”, acrescentou.

    “A indústria pensa que a liberalização foi boa para o consumidor português porque permitiu haver diferenciação de preços e permitiu-lhe comprar nalguns sítios mais barato, o que não aconteceria se continuasse a existir um preço máximo”, concluiu.

    José Horta admite, contudo, que foi mau para a indústria petrolífera que a liberalização tenha sido feita em contra-ciclo com o mercado, numa altura em que as cotações internacionais do petróleo estavam a subir.

    O presidente da ANAREC, Augusto Cymbron, afirmou à Lusa que “o saldo é negativo, não valeu a pena”.

    “Não houve uma verdadeira liberalização, está tudo nas mãos de quem refina e distribui os produtos em Portugal”, afirmou.

    Augusto Cymbron defende que os preços dos combustíveis devem ser regulados e fixados como os da electricidade e que o Governo deve baixar os preços do imposto sobre os produtos dos combustíveis.

    Jorge Morgado, secretário-geral da DECO, afirmou também à Lusa que “até agora, os consumidores não ganharam nada com a liberalização”.

    O responsável defendeu que apenas se deveria ter “saído da situação anterior para uma situação de mercado que permitisse encontrar o preço justo”.

    O secretário-geral da DECO criticou o facto do Governo ter avançado para a liberalização dos combustíveis “sem ter assegurado, previamente, condições de concorrência que permitissem aos consumidores lucrar com isso”.

    “O mercado ficou entregue a si mesmo numa situação de oligopólio em que uma empresa é claramente dominante”, concluiu.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.