Segurança rodoviária

Quadro negro da sinistralidade em Portugal

Quadro negro da sinistralidade em Portugal

 

Lusa/AOonline   Nacional   13 de Out de 2008, 10:57

A segurança rodoviária foi tema de discussão na assembleia anual da Federação Europeia das Vítimas da Estrada na qual foi traçado um quadro negro para Portugal, disse à Lusa Manuel João Ramos, da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados.
Aquela entidade pondera mesmo queixar-se ao Conselho de Segurança Rodoviário Europeu do que diz serem as “falsas estatísticas” sobre mortes e pedir que seja retirado a Portugal o prémio que lhe fora atribuído pela redução no índice de vítimas na estrada.

    Em declarações à agência Lusa, Manuel João Ramos adiantou que na assembleia anual, que decorreu domingo em Barcelona, Espanha, foram debatidos alguns problemas europeus a nível da sinistralidade na qual Portugal surge “com má imagem”.

    Nessa reunião, Manuel João Ramos foi nomeado para um dos três cargos de direcção da Federação Europeia das Vítimas da Estrada.

    “Aqui tive a oportunidade de ver e ouvir ao vivo os vários problemas e soluções de mobilidade e de acessibilidades nas cidades a nível mundial e problemas rodoviários e posso dizer que Portugal não fica nada bem no retrato geral”, disse.

    De acordo com Manuel João Ramos, foram apontadas, entre outras, a falta de trabalho e de coordenação ao nível da administração central e má aplicação das verbas e dos investimentos a nível local.

    “Outro dos problemas é o da passividade do cidadão português perante tudo isto, o que é preocupante”, referiu.

    Manuel João Ramos disse ainda ter apresentado dados que, na sua opinião, “mostram as falsas estatísticas em Portugal”.

    “Portugal é o único país que não contabiliza os mortos a 30 dias. Queremos saber porque é que não se conta e o que se faz aos mortos, pois a diferença entre os números oficiais e os números divulgados que dão conta de mais 40 por cento em relação aos números oficias são preocupantes”, disse.

    Manuel João Ramos adiantou ainda que a Federação - que tem assento junto da Organização Mundial de Saúde - está a ponderar fazer uma queixa ao Conselho de Segurança Rodoviário Europeu para que seja retirado a Portugal o prémio que lhe foi atribuído por causa da redução do índice de números de mortos na estrada.

    “Consideramos que a atribuição do prémio é questionável”, concluiu.

    Sobre o Dia Europeu da Sinistralidade Rodoviária, que se assinala esta segunda-feira, Manuel João Ramos adiantou que a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados vai estar presente numa mesa redonda que conta com a participação de 11 entidades com intervenção no domínio da prevenção rodoviária.

    Manuel João Ramos realçou que no debate pretende-se fazer um ponto da situação da questão da sinistralidade em Portugal discutir a estratégia de prevenção rodoviária aprovada, as dificuldades das associações em realizarem campanhas de prevenção em Portugal no actual modelo de financiamento e o balanço dos projectos implementados.

    “Achámos importante que houvesse um debate importante sobre aquilo que é o contributo do governo central, autoridades locais, sociedade civil, organizações não governamentais e organizações como a Cruz Vermelha que prestam ajuda na área da segurança rodoviária e da emergência médica”, disse.

    O Dia Europeu da Sinistralidade Rodoviária foi instituído em 2007 pela Comissão Europeia e este ano a data tem como tema a segurança rodoviária nas cidades, onde ocorrem dois terços dos acidentes registados.

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