Segundo o Kremlin, o Presidente do Irão, Massoud Pezeshkian, informou Putin sobre as “medidas ativas” tomadas pelas autoridades iranianas para “normalizar a situação no país”, na sequência da vaga de protestos que agita a República Islâmica desde o final de dezembro.
Os dois líderes reafirmaram o compromisso em reforçar a “parceria estratégica russo-iraniana” e em prosseguir a implementação de “projetos económicos conjuntos”, de acordo com o comunicado da presidência russa.
Esta foi a primeira reação oficial de Vladimir Putin à situação interna no Irão desde o início das manifestações contra o regime.
“A situação está muito tensa na região, e o Presidente Putin continua os seus esforços para promover um desagravamento”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, aos jornalistas.
Sobre a conversa telefónica com o governante israelita, Benjamin Netanyahu, a presidência russa indicou que Moscovo está disponível para continuar “esforços de mediação apropriados” e para “promover um diálogo construtivo com a participação de todos os Estados interessados”.
Desde o início dos protestos no Irão, o Presidente norte-americano, Donald Trump, tem feito repetidas ameaças a Teerão, sobretudo em resposta à violenta repressão das manifestações.
Organizações de defesa dos direitos humanos afirmam que a repressão provocou milhares de mortos, mas todas destacam porém a dificuldade de alcançar a dimensão real da situação, face à ausência de números oficiais e ao bloqueio total da Internet no país desde há uma semana.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.
As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel.
O Irão é um parceiro diplomático, económico e militar fundamental da Rússia no Médio Oriente e Moscovo e Teerão reforçaram significativamente os seus laços desde o início da ofensiva russa contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Em janeiro de 2025, os dois países assinaram um tratado de parceria estratégica com o objetivo de aprofundar a cooperação, nomeadamente na área militar.
O Irão é acusado por Kiev e por países ocidentais de fornecer drones Shahed e mísseis de curto alcance à Rússia para a guerra na Ucrânia.
Irão
Putin fala com líderes iraniano e israelita para reduzir tensões
O Presidente russo falou separadamente por telefone com o homólogo iraniano e com o primeiro-ministro israelita, anunciou o Kremlin, afirmando que Vladimir Putin procura reduzir as tensões relacionadas com o Irão, parceiro fundamental de Moscovo no Médio Oriente
Autor: Lusa/AO Online
