Psicólogos nos centros de saúde poupam dinheiro defende a ordem

Psicólogos nos centros de saúde poupam dinheiro defende a ordem

 

Lusa/AO Online   Nacional   10 de Out de 2011, 07:30

A existência de psicólogos nos centros de saúde pode poupar dinheiro, consultas, tempo de internamento e reduzir o consumo de antidepressivos, que aumentou mais de 50% na última década, defende a Ordem dos Psicólogos num estudo hoje divulgado.

A Ordem estima que ter psicólogos nas equipas dos centros de saúde e hospitais pode "fazer baixar 50 por cento o número de consultas médicas, cerca de 70 por cento a frequência de hospitalizações" e reduzir o número de dias de internamento.

Se as políticas de saúde não tiverem estes dados em atenção, vai continuar um "desperdício insustentável" para o país, alerta a Ordem, que reclama dos decisores que "disponibilizem aos cidadãos formas de ajuda que não só são preferidas por estes como permitem a diminuição de custos e ganhos significativos de bem-estar".

No estudo salienta-se que a intervenção de psicólogos pode trazer resultados não só em doenças como depressão mas também em casos de doenças cardíacas - redução de "mortalidade e recorrência de 70 a 84 por cento" nos dois anos a seguir - e em alguns cancros, em que um psicólogo pode ajudar a melhorar o estado mental e a reduzir sintomas físicos.

A Ordem refere um aumento na utilização de 52 por cento de psicofármacos, especialmente antidepressores e antipsicóticos de 2000 a 2009, e salienta que esse aumento "pode significar que os tratamentos são mais prolongados do que o indicado" e estão a ser usados em situações em que haveria outras soluções.

Na avaliação que faz do período 2000-2009, a Ordem verificou que o consumo de "ansiolíticos, sedativos e hipnóticos" aumentou 11 por cento e que o uso de antidepressores quase triplicou.

O aumento (só entre 2004 e 2009 foi de 25 por cento) tem tendência para continuar e muitos dos medicamentos não existem em genérico, o que faz crescer ainda mais a despesa.

Para o Serviço Nacional de Saúde, as comparticipações com este tipo de medicamentos atingiam 22 milhões de euros em 2009, indica a Ordem.

Se os doentes consomem mais, é porque os médicos também passam mais, algo que a Ordem explica com "a alteração legislativa que permite a prescrição a todos os médicos", mesmo que não sejam psicólogos.

Segundo as orientações dos organismos de saúde internacionais, medicamentos como as benzodiazepinas (ansiolítico) não devem ser usadas por mais de quatro semanas no tratamento da ansiedade.

"Em caso de depressão ligeira, o aconselhamento psicológico pode ser suficiente" e eliminar a necessidade de medicamentos, o mesmo se aplicando a problemas de ansiedade, defende a Ordem.

Outra vantagem em ter psicólogos nos centros de saúde e hospitais é que a sua intervenção "custa praticamente o mesmo que uma baixa médica de um mês", mas permite "o regresso mais rápido ao trabalho".


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