PS desvaloriza Cravinho e recusa alterações "imediatas" legislativas


 

Lusa / AO online   Nacional   4 de Out de 2007, 17:25

O porta-voz do PS, Vitalino Canas, afirmou hoje que as propostas do ex-ministro socialista João Cravinho sobre combate à corrupção "são conhecidas", mas diz que a luta ao crime económico organizado depende mais da eficácia da investigação.
    "A questão do combate à corrupção e à criminalidade económica organizada não depende agora de alterações legislativas, mas de uma melhoria da investigação criminal", sustentou o dirigente socialista.

    Confrontado com as posições de João Cravinho em matéria de combate à corrupção, Vitalino Canas disse que os pontos de vistas do ex-ministro de António Guterres "são conhecidas".

    "Não li ainda a entrevista do engenheiro João Cravinho, mas sublinho que o PS adoptou várias propostas do próprio João Cravinho e outras decididas de outras decididas de outra maneira", observou.

    De acordo com o porta-voz do PS, as propostas aprovadas pela Assembleia da República, em matéria de combate à corrupção, "têm efeitos positivos que se produzirão a médio e longo prazo".

    "As alterações introduzidas não são susceptíveis de mudanças a curto prazo ou em termos imediatos", acrescentou.

    O ex-deputado socialista João Cravinho disse hoje em entrevista à Visão ter ficado "chocado" com a "absoluta incompreensão" demonstrada pelo PS face ao fenómeno da corrupção, tema que causava "profundo mal-estar" no partido.

    Em entrevista à Visão, João Cravinho, que renunciou no início do ano ao mandato de deputado para administrar o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) em Londres, diz ter ido até ao limite do que podia no debate sobre combate à corrupção.

    "Foi dos maiores choques da minha vida ver que aquela matéria causava um profundo mal-estar, era como um corpo estranho no corpo ético do PS. Apesar de algumas dificuldades que antevia, não contava com uma atitude de absoluta incompreensão para a Natureza real do fenómeno da corrupção", diz Cravinho à revista.

    No verão do ano passado, João Cravinho lançou a discussão interna sobre a matéria, quando apresentou no Parlamento várias medidas para prevenir e combater a corrupção, que não tinham sido concertadas com a bancada do PS.

    “Fui até ao limite do que podia. Após um processo longo e de muitas discussões, formei uma ideia sobre as razões das divergências profundas - porque as havia e eram manifestas - entre mim e a direcção do grupo parlamentar em questões fulcrais”, disse.
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