Projecto da Casa das Selecções só em 2008


 

Lusa / AO online   Futebol   12 de Out de 2007, 15:09

O desejo de Gilberto Madaíl de colocar a Casa das Selecções ao serviço da equipa principal para ultimar a preparação para o Euro2008 inviabilizou-se com os atrasos sofridos no arranque das obras, em Almargem do Bispo, no concelho de Sintra.
    Dias antes de tomar posse para novo mandato à frente da presidência da Federação Portuguesa de Futebol, em Janeiro deste ano, Gilberto Madaíl acreditava que a Casa das Selecções estaria ao serviço da equipa nacional já para o Euro2008, embora o apuramento para o torneio esteja ainda "tremido".

    Em entrevista concedida à Agência Lusa três dias antes de tomar posse para o quadriénio 2006/07-2009/10, Gilberto Madaíl tinha manifestado a esperança de que as obras arrancariam no primeiro trimestre deste ano, mas a estimativa só deverá cumprir-se nos primeiros meses de 2008, segundo Luís Duque, vereador para as obras municipais da Câmara Municipal de Sintra.

    Projectada para Almargem do Bispo, a Casa das Selecções sofreu vários atrasos pela descoberta de vestígios arqueológicos, que inviabilizaram cerca de 30 por cento do terreno originalmente previsto e obrigaram a Câmara a adquirir a privados parcelas anexas, para recuperar os 10 hectares necessários.

    Em testemunho prestado por escrito à Lusa, Gilberto Madaíl, que não deverá cumprir a totalidade do actual mandato, lamentou que a Casa das Selecções "ainda não seja uma realidade tangível" e que não tenha "caminhado com a rapidez" imprimida a outros projectos.

    Segundo Gilberto Madaíl, o contrato-programa assinado com a Câmara de Sintra em Novembro de 2001, ainda na presidência de Edite Estrela, e complementado em Março de 2005, já com Fernando Seara à frente da edilidade, tem levantado alguns "problemas burocráticos".

    "Este contrato-programa (um acordo que já de si levou algum tempo a elaborar) envolve compromissos concretos de ordem financeira entre as duas entidades. Recentemente, a Câmara Municipal de Sintra informou-nos de que a execução completa do contrato-programa está dependente do visto prévio a emitir pelo Tribunal de Contas", explicou o presidente da Federação.

    Ainda segundo Gilberto Madaíl, este visto "aparentemente ainda não foi emitido", pelo que a federação continua "à espera que isso seja desbloqueado para que se possa avançar".

    "Para já, os terrenos foram terraplanados e algumas coisas foram feitas", conclui Gilberto Madaíl, em concordância com as garantias dadas também à Lusa por Luís Duque, para quem este atraso valeu a pena.

    O vereador da Câmara de Sintra assegurou que as obras "nunca pararam", mas sofreram diversos impasses devido aos vestígios arqueológicos encontrados na área originalmente prevista para a edificação da Casa das Selecções.

    "Tendo em conta os prazos que temos de respeitar, os incidentes que existiram, o volume da obra que já foi feita (parece que deitámos quase uma serra abaixo) e a tramitação que isto tudo obedece, não se poderia ter andado muito mais depressa", salientou Luís Duque.

    O autarca acrescentou que para recuperar as parcelas perdidas com a descoberta de vestígios arqueológicos, a câmara teve de negociar com privados a aquisição de terrenos anexos, o que forçou o impasse.

    "Estes atrasos são mais que justificáveis. Tivemos de negociar muito terreno. Imagine o que é negociar com pessoas que sabem de antemão que precisamos daqueles terrenos para a Casa das Selecções. Foi um processo complicado, que obrigou a várias aprovações camarárias e a respeitar uma série de trâmites legais. Não é a mesma coisa que uma negociação entre privados", lembrou.

    Luís Duque assegurou que o risco de atrasar o andamento das obras depois de descobertos os vestígios arqueológicos foi "teimosamente aceite" por Fernando Seara e Gilberto Madaíl, que "não quiseram deixar cair a Casa das Selecções".

    "Entendemos que a localização do projecto, o seu enquadramento paisagístico e a mais-valia para o concelho merecia o nosso esforço e investimento. E a federação também aceitou aguentar um pouco mais de tempo", revelou.

    Sobre o investimento total da Câmara, Luís Duque falou numa verba a rondar os 10 milhões de euros, 2,5 dos quais já foram aplicados nas terraplanagens, desvio de terras, colocação de terras para jardinagem, arborização, resolução de problemas hidráulicos e aquisição de outras parcelas de terreno.

    Na entrevista que Gilberto Madaíl concedeu à Lusa no início do ano, o líder federativo também falava num investimento, da parte da Federação, na ordem dos 10 milhões de euros, pelo que o custo total deste empreendimento poderá fixar-se em cerca de 20 milhões de euros.

    "O que enche o olho é o levantamento da parede, que é o mais fácil e o mais rápido. Damos sempre menor valor à parte inicial e final das obras. Esta é a parte mais chata, mas quando se começar a colocar tijolo aquilo fica feito quase de um dia para o outro", prognosticou Luís Duque.

    Neste sentido, o vereador estima que no primeiro trimestre do próximo ano arranque finalmente a construção das infra-estruturas, "para permitir que, pelo menos a primeira fase do projecto possa ser inaugurada por Fernando Seara e Gilberto Madaíl".

    Por força da nova Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, que implicará uma revisão estatutária e consequente marcação de novas eleições na federação, o actual mandato de Madaíl deverá ser interrompido no final da presente época desportiva.

    Como já deixou entender, Gilberto Madaíl, que preferia ter prorrogado o mandato anterior até à obrigatória revisão estatutária, não deverá recandidatar-se no novo sufrágio, o que obrigará o dirigente a testemunhar "por fora" a conclusão daquela que foi uma das suas maiores bandeiras ao longo da década de funções.
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