Preços do crude atingem novos recordes em Londres e Nova Iorque


 

Lusa / AO online   Economia   29 de Out de 2007, 16:01

Os preços do petróleo estabeleceram esta segunda-feira novos recordes em Londres e Nova Iorque, após o anúncio de uma redução importante da produção mexicana, quando os preços são já sustentados pela fraqueza dos stocks e por receios geopolíticos.
Em Londres, o barril de Brent do Mar do Norte ultrapassou pela primeira vez da sua história a barra simbólica dos 90 dólares, ultrapassada duas semanas antes em Nova Iorque pelo "light sweet crude". Por volta das 10H00 TMG, o barril para entrega em Dezembro valia 89,49 dólares.

Em Nova Iorque, o barril de "light sweet crude" para entrega em Dezembro subiu no início das transacções ao nível histórico de 93,20 dólares. Por volta das 10H00 TMG, transaccionava-se nos 92,89 dólares.

"As notícias recentes do México (...) vieram juntar-se aos receios persistentes sobre a oferta", comentaram analistas da agência de corretagem Sucden.

Domingo, a companhia nacional dos petróleos mexicanos PEMEX anunciou com efeito uma redução temporária da sua produção de 600.000 barris por dia.

A decisão surge após a ocorrência de um grave acidente terça-feira passada ao largo do golfo de Campeche, fustigado pelo mau tempo, onde uma fuga de gás provocou a morte de 21 pessoas.

Mais de meio milhão de barris vão estar em falta numa altura em que os mercados estão preocupados com a fraqueza dos stocks mundiais antes do Inverno no hemisfério norte. Nos Estados Unidos as reservas de crude estão 5,9 por cento inferiores ao nível do ano passado.

O mercado está também preocupado com uma possível intervenção da Turquia no norte do Iraque contra os rebeldes curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

O exército turco cercou uma centena de rebeldes numa zona de montanha próxima da fronteira com o Iraque, relatou a agência noticiosa semioficial Anatólia.

Os operadores receiam também um agravamento das tensões entre o Irão e os Estados Unidos à volta do controverso programa de enriquecimento de urânio iraniano. Quinta-feira a administração Bush aprovou novas sanções ao regime islâmico, reforçando as especulações sobre um possível conflito com o quarto produtor mundial de petróleo, que levaria a uma ruptura dos abastecimentos.

Terceiro foco de tensões, a Nigéria, primeiro produtor de crude africano, registou um novo surto de violência a semana passada, com o rapto de seis estrangeiros e o ataque a uma instalação petrolífera offshore da companhia italiana Agip no sul do país. As duas acções foram hoje reivindicadas pelo MEND (Movimento de emancipação do Delta do Níger).

O último ingrediente da subida dos preços, que ganharam 13 dólares em três semanas, é a baixa contínua do dólar, que caiu hoje a 1,4438 dólares por um euro, e que estimula a procura de ouro negro.

Os investidores fora da zona dólar aproveitam com efeito a fraqueza da divisa norte-americana para reforçar as suas reservas de matérias primas negociadas em dólares.
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