Pré-diabéticos grupo de alto risco


 

Lusa/AOonline   Nacional   10 de Nov de 2007, 10:28

O médico Jácome de Castro alertou hoje, a propósito do Dia Mundial de Luta contra a Diabetes, que os pré-diabéticos, pessoas em condições de desenvolver a doença, são um grupo de alto risco que não recebe a atenção devida.

  "Os pré-diabéticos, se não receberem o tratamento devido, correm o risco de desenvolver diabetes, o que aumenta o risco de doenças cardíacas e cérebro-vasculares, as doenças que mais matam em Portugal", afirmou o endocrinologista Jácome de Castro, do Hospital Militar de Lisboa, em declarações à Lusa.

    A condição de pré-diabético implica alterações no metabolismo dos açúcares, deixando os doentes numa situação "intermédia entre o estado normal e o estado de diabético", explicou, nas vésperas do dia dedicado à doença, que se assinala quarta-feira.

    As alterações ao nível do metabolismo podem ser diagnosticadas através da medição dos níveis de açúcar no sangue em jejum, comparando-os com "os valores que surgem em resposta a uma carga de açúcar padronizada", esclareceu o endocrinologista.

    "As pessoas vão estando progressivamente consciencializadas para os riscos, mas é preciso apostar mais na prevenção, no diagnóstico precoce e nas terapêuticas agressivas", referiu.

    Jácome de Castro recordou também que há inúmeros recursos que são consumidos em gastos com os diabéticos, um facto que devia levar a uma aposta na prevenção e na alteração dos estilos de vida.

    O excesso de peso e os estilos de vida sedentários são as principais causas da diabetes tipo II, que cada vez mais afecta os jovens, sobretudo devido a hábitos incorrectos de alimentação.

    A diabetes é uma doença que resulta de uma deficiente capacidade de utilização da principal fonte de energia - a glucose.

    Muitos dos alimentos que ingerimos são transformados no nosso aparelho digestivo em glucose, que resulta da digestão e transformação dos amidos e dos açúcares da nossa alimentação.

    Depois de absorvida, entra na circulação sanguínea e está disponível para as células a utilizarem. Para que a glucose possa ser utilizada como fonte de energia, é necessária a insulina.

    A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas, sendo a principal substância responsável pela manutenção dos valores adequados de açúcar no sangue. Na diabetes este mecanismo de compensação não funciona.

    Existem dois tipos principais de diabetes: diabetes de tipo I e diabetes de tipo II.

    Os diabéticos de tipo I necessitam de terapêutica com insulina para toda a vida porque o pâncreas deixa de poder fabricá-la.

    A falta de insulina e não está directamente relacionada com hábitos de vida ou de alimentação errados, ao contrário do que acontece na diabetes tipo II.

    A diabetes tipo I, também conhecida como diabetes insulino-dependente, é mais rara (a sua forma juvenil não chega a 10 por cento do total) e atinge na maioria das vezes crianças ou jovens, podendo também aparecer em adultos e até em idosos.

    A diabetes tipo II, também conhecida como diabetes não-insulino-dependente, ocorre em indivíduos que herdaram uma tendência para a diabetes - têm, frequentemente, um familiar próximo com a doença - e que, devido a hábitos de vida e de alimentação errados e também ao "stress", vêm a sofrer de diabetes quando adultos.

    Na diabetes tipo II o pâncreas é capaz de produzir insulina, mas a alimentação incorrecta e a vida sedentária, com pouco ou nenhum exercício físico, tornam o organismo resistente à acção da insulina, obrigando o pâncreas a trabalhar mais, ao ponto de a insulina produzida deixar de ser suficiente.

    Há outras causas bastante mais raras de diabetes, nomeadamente doenças do pâncreas como alguns tumores e a pancreatite provocada pelo álcool.

    Sintomas típicos da diabetes podem ser sede e fome constantes e intensas, sensação de boca seca, fadiga, comichão no corpo e visão turva.

    A Organização Mundial de Saúde estima que existem mundialmente 185 milhões de pessoas com diabetes, mas que só 40 por cento estão diagnosticadas e tratadas.

    Prevê-se que este número crescerá até aos 500 milhões em 2025, devido ao envelhecimento da população, estilo de vida sedentário e aumento da obesidade.

    Em Portugal existem mais de 500 mil diabéticos e este número terá tendência para aumentar nos próximos anos. Noventa por cento dos doentes têm diabetes de tipo II.

    A 14 de Novembro assinala-se do Dia Mundial da Luta contra a Diabetes.

   

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.