Portugueses têm percepção cada vez mais negativa das relações laborais

Portugueses têm percepção cada vez mais negativa das relações laborais

 

Lusa   Economia   15 de Ago de 2010, 15:16

O número de trabalhadores portugueses que considera que o estado das relações laborais é "negativo" aumentou 6,8 pontos, para 43,3 por cento, entre janeiro e julho, segundo um estudo do Observatório de Boas Práticas Laborais

“Este é um sinal de alerta para o Governo relativamente às posições que tem assumido ao longo das duas legislaturas no diálogo com os sindicatos”, designadamente à sua “postura pouco dialogante, muitas vezes refractária”, disse o coordenador do Observatório Português de Boas Práticas Laborais (OPBPL), responsável pelo trabalho, a que a Lusa teve acesso.

Segundo Paulo Pereira de Almeida, esta atitude do Governo estará também na base da inversão registada nos aspetos das relações laborais considerados mais importantes pelos trabalhadores: se num primeiro estudo, efetuado em janeiro, o fator mais apontado era a “igualdade e oportunidades” (com 15,9 por cento das respostas), em julho a principal preocupação passou a ser a “comunicação e o diálogo social” (referida por 16 por cento dos inquiridos).

“Diria que há uma expetativa dos trabalhadores portugueses relativamente à melhoria do diálogo social, até porque o atual Governo por vezes tem assumido, na forma como tem implementado algumas das suas políticas, posições de algum antagonismo face aos sindicatos”, sustentou o investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa – Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL).

Contactado pela Lusa, o ministério do Trabalho não quis comentar, considerando que se trata de um tema a discutir em sede de concertação social.

Elaborado em julho com base numa “amostra representativa da população portuguesa”, o segundo estudo do OPBPL (que é apoiado pela União dos Sindicatos Independentes - USI) apurou que 43,3 por cento dos inquiridos (contra 36,5 por cento em janeiro) classificam como “negativo” o estado atual das relações laborais em Portugal.

“Curiosamente”, segundo Paulo Pereira de Almeida, nas relações laborais dentro da empresa onde trabalham os inquiridos “as tendências não são tão negativas” e 47,1 por cento considera que o seu estado é “positivo”.

Para o investigador, “o que explica isso é uma leitura diferente por parte dos trabalhadores da atuação do Governo e da atuação das próprias entidades patronais”.

Segundo Paulo Pereira de Almeida, na base da deterioração da avaliação do atual estado das relações laborais estará também “uma perceção de que à atual crise e ao aumento do desemprego poderá estar associado um aumento da conflitualidade social”.

De acordo com o investigador, a responsabilidade social das empresas “tem vindo a melhorar”.

Considerando que este é “um sinal positivo da atuação das empresas nesta matéria”, Paulo Pereira de Almeida alertou os empresários para que “não esqueçam que têm uma responsabilidade social importante que começa na criação de riqueza, de emprego e na respetiva manutenção”.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.