Crise financeira

Portugal vai precisar de pagar 4,7 mil ME pela recapitalização do sistema bancário


 

Lusa/AOonline   Economia   23 de Out de 2008, 12:05

O presidente do Banco Privado Português (BPP), João Rendeiro, afirmou que, em Portugal, vai ser preciso pagar 4,7 mil milhões de euros pela recapitalização do sistema bancário.
"Estamos perante a crise cíclica mais grave do sistema financeiro mas não o fim do capitalismo e, em Portugal, vai ser preciso pagar 4,7 mil milhões de euros pela recapitalização do sistema bancário, disse o economista, em Lisboa.

    João Rendeiro, que falava no III Encontro de Analistas Financeiros, precisou que a Espanha vai precisar de pagar 39 mil milhões de euros para recapitalizar o sistema bancário.

    O montante em Espanha é aproximadamente oito vezes superior ao que vai ser preciso pagar pela recapitalização, em Portugal, do sistema bancário.

    Segundo o responsável, "o capitalismo tem crises cíclicas e, em 32 casos analisados, estas custam em geral, em média, 6 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)".

    Na Coreia do Sul, custaram 16 por cento do PIB, nos Estados Unidos 7 por cento e na Alemanha 6 por cento, salientou o economista.

    O presidente do BPP referiu ainda que "houve falha de avaliação do risco sistémico global".

    Defendeu também que, neste momento, através do Fundo Monetário Internacional (FMI) haja um controlo do risco sistémico global, questão que deverá ser apresentada na próxima Cimeira do G-20 (um foro dos grandes países industrializados mais os emergentes), que os Estados Unidos acolhem no início de Novembro.

    Sobre o Banco Central Europeu (BCE) destacou a necessidade de ser não só uma entidade reguladora mas também de supervisão.

    O economista mencionou ainda que a rentabilidade estrutural do sistema financeiro "vai diminuir acentuadamente" e que a "bolha mais importante" é a dos hedge funds (fundos alternativos), que vai ter uma redução drástica nos volumes de negócios.

    Na sua intervenção, João Rendeiro, defendeu que "é preciso repor a credibilidade do sistema financeiro, com responsabilidade social".

    Por sua vez, o secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Carlos Costa Pina, considerou que este momento ao nível dos mercados de capitais e do sistema financeiro "não é fácil" e que as perdas globais estimadas são "superiores a 1.400 biliões de dólares".

    Costa Pina defendeu também que "muito do problema [da crise] tem a ver com a qualidade e confiança da informação financeira, alertando para a necessidade da independência dos analistas e para a melhoria das metodologias de análise.

    Reconheceu igualmente que deve ser feito um esforço maior na qualidade da informação financeira prestada aos analistas.

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