Portugal deveria contratar vários Prémio Nobel e criar uma universidade de excelência


 

Lusa / AO online   Economia   19 de Out de 2008, 12:19

O ex-presidente do BCP Paulo Teixeira Pinto defende que Portugal deveria apostar em colocar uma universidade no topo dos rankings internacionais das melhores instituições de ensino superior, “bastando” para isso contratar vários Prémios Nobel.
    “O conceito não é uma universidade portuguesa para portugueses, seria uma universidade em Portugal para o mundo”, disse à agência Lusa Paulo Teixeira Pinto.

    Na visão do antigo docente universitário, essa universidade teria capacidade de “atracção de talentos, de cérebros, os melhores investigadores, independentemente dos países onde estejam, mas também alunos de todo o mundo”.

    Para Paulo Teixeira Pinto, deviam procurar-se “os melhores entre os melhores de todas as áreas do saber”, entre os quais alguns Prémio Nobel.

    “Um Prémio Nobel custa menos que um razoável jogador de futebol. Portanto, contratados por uma universidade seis, oito ou dez pessoas com o Prémio Nobel em várias áreas científicas não me parece uma tarefa impossível”, sustentou à Lusa.

    Fazendo outro termo de comparação, Paulo Teixeira Pinto afirmou que se a universidade custar tanto como todo o ensino público português ou metade da auto-estrada para Bragança não é “caro”.

    “Quando se vai discutir o tema dos custos e das verbas é sempre o argumento mais fácil para não se fazer coisa nenhuma, mas esse tema não existe. Nenhum grande projecto deixou de ser feito por falta de dinheiro”, salientou, considerando que “é tudo uma questão de prioridades e aceitação”.

    Realçou ainda o “efeito multiplicador” que teria uma universidade com esta natureza e dimensão, que “colocaria Portugal no mapa, no que se refere ao ranking universitário”, destacando que actualmente as universidades portuguesas se encontram, nesses rankings, no limiar do posto 200, a nível europeu, e 500 em termos globais.

    O projecto, na sua opinião, devia ser lançado pelos privados, mas a grande responsabilidade devia ser do Governo.

    “Eu considero que os privados têm obrigação de participar porque o benefício não é exclusivamente público é para toda a sociedade”, defendeu.

    Mas mesmo que o custo fosse 100 por cento atribuível ao Estado, Paulo Teixeira Pinto considerou que era um investimento que fazia sentido dado o efeito multiplicador que teria.

    Questionado pela Lusa se existe em Portugal um grupo de pessoas capaz de lançar um projecto desta dimensão, o antigo presidente do BCP afirmou que sim, desde que “haja uma vontade e uma determinação de liderança”.

    Se for um projecto com uma "liderança adequada com certeza que se reúnem as pessoas com vontade e capacidade para isso, porque só um tolo é que não quer uma universidade destas em Portugal”, sublinhou.

    A agência Lusa contactou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) para tentar obter um comentário à proposta de Paulo Teixeira Pinto, mas não obteve resposta.

    Há dois anos o Governo e o Instituto de Tecnologia de Massachuteres (MIT) assinaram um acordo de parceria nas áreas de gestão e engenharia, que envolve sete universidades e um financiamento público global de 32 milhões de euros às instituições nacionais envolvidas.

    O programa MIT-Portugal envolve centros de investigação, docentes, investigadores e alunos na forma de consórcios entre escolas de engenharia, faculdades de ciências e tecnologia e escolas de economia e gestão em sete universidades portuguesas, incluindo empresas, laboratórios associados e estatais.

    No âmbito deste programa, as instituições nacionais, em parceria com o MIT, poderão contratar professores convidados “de mérito internacional” e investigadores em pós-doutoramento.

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