Polémica da dívida foi tema fulcral da campanha eleitoral que termina hoje na Madeira

Polémica da dívida foi tema fulcral da campanha eleitoral que termina hoje na Madeira

 

Lusa/AO Online   Nacional   7 de Out de 2011, 07:47

 A polémica da dívida da Madeira foi o tema que marcou a campanha para as eleições legislativas regionais de domingo que termina hoje à meia-noite, contando o sufrágio com a participação de nove partidos.

Quase todos os líderes nacionais marcaram presença em iniciativas nesta região, sendo a ausência mais marcante a do presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que na sequência das revelações sobre a situação financeira desta região, cancelou a deslocação que chegou a ter prevista, embora nunca oficialmente confirmada.

Depois do Governo da República ter anunciado que a dívida da Madeira era superior a 6,3 mil milhões de euros, na sequência da divulgação pelo Instituto Nacional de Estatística e Banco de Portugal de diversos “buracos” financeiros na região e denúncias de “graves irregularidades no reporte”, o primeiro-ministro justificou a sua ausência na campanha declarando não poder “caucionar” esta situação.

O cabeça de lista do PSD-Madeira, Alberto João Jardim, desdobrou-se em comícios por toda a região, assumindo com “muita honra” ter feito dívida - que o Governo Regional mantém ser de 5,8 mil milhões de euros -, alegou que serviu “para evitar que a economia da região parasse” e rebateu as acusações de que teria “ocultado” dados.

Diariamente, Jardim disparou críticas ao “traidor” do candidato do PS, Maximiano Martins, e ao “Pôncio Pilatos” do cabeça de lista e deputado do CDS-PP na Assembleia da República, José Manuel Rodrigues, porque este se absteve na votação da revisão da Lei das Finanças Regionais. Na qualidade de presidente do Governo Regional, fez dezenas de inaugurações e, frequentemente, defendeu que os sacrifícios e os benefícios do plano de resgate financeiro delineado para o país têm de ser “iguais para todos os portugueses”.

A conquista da décima maioria absoluta consecutiva em eleições legislativas nesta região é o objetivo principal de Jardim para domingo, uma meta que todos os partidos da oposição querem contrariar.

Prosseguindo este alvo, o socialista Maximiano Martins assumiu-se como candidato a presidente do Governo Regional, fez uma campanha sem comícios, apostando no contacto com o eleitorado e chegou mesmo a apresentar o elenco do seu “governo sombra”.

O PS quer garantir o lugar de principal partido da oposição regional e aumentar o grupo parlamentar, composto na última legislatura por sete deputados.

Já o cabeça de lista do CDS-PP e deputado na Assembleia da República, José Manuel Rodrigues, tentou convencer o eleitorado que o partido é “a única alternativa” ao atual Governo Regional, afirmando que Alberto João Jardim é um presidente “isolado” e sem credibilidade para negociar o plano de ajustamento financeiro que a região precisa.

A CDU não se cansou de mostrar os “berbicachos da governação jardinista” e de apontar as consequências sociais e os prejuízos provocados por estas obras e pela política jardinista.

Eleger pela primeira vez um grupo parlamentar nesta região e ajudar a retirar a maioria absoluta ao PSD foram as tónicas do discurso da candidatura do Bloco de Esquerda (BE).

Nesta campanha, o PND protagonizou vários momentos polémicos e de contestação ao PSD e a Jardim, sendo um dos mais contundentes o dia em que oito candidatos do partido se barricaram no Jornal da Madeira, protestando contra a falta de pluralismo editorial deste matutino regional.

O Movimento Partido da Terra (MPT) apelou à justiça do eleitorado, pedindo que reconheça a coerência na postura da oposição adotada e “o trabalho efetuado”.

O Partido Trabalhista Português (PTP), tendo como candidato José Manuel Coelho, e o Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN), que quer ser também “uma voz no cenário político da Madeira”, estreiam-se neste sufrágio.


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