Pintor açoriano inspira-se na fantasia das ilhas e leva quadros ao Louvre e a Nova Iorque

Pintor açoriano inspira-se na fantasia das ilhas e leva quadros ao Louvre e a Nova Iorque

 

Lusa/Ao online   Cultura e Social   24 de Fev de 2019, 09:31

O pintor Tiago Azevedo inaugurou pela primeira vez uma exposição na ilha Terceira de onde é natural, mas já levou obras ao Museu do Louvre, em Paris, e a galerias em Roma, Cannes, Dubai e Nova Iorque.

“Em 2015, surgiu a oportunidade de uma exposição no Louvre, que me abriu portas para outras coisas e para expandir a minha arte para outras áreas”, adiantou o jovem açoriano, em declarações à Lusa, em Angra do Heroísmo, onde inaugurou a exposição “The Paintor of Fantasy”.

Natural dos Altares, uma freguesia rural na ilha Terceira, Tiago Azevedo vive há cinco anos em Munique, na Alemanha, mas mantém uma relação de proximidade com os Açores e procura passar a “mística” das ilhas para os seus quadros.

“O contraste do verde e do negro que existe nas nossas paisagens, o clima… é uma coisa que acaba por nos envolver num mundo fantástico e isso sente-se muito especificamente aqui. É uma coisa que quase nos invade. Eu levo isto sempre dentro de mim para todo o sítio para onde vou. Gosto de pensar que isto aparece nas minhas obras e que as pessoas conseguem senti-lo”, revelou.

A pintura de Tiago Azevedo integra-se num “surrealismo pop”, uma mistura de características contemporâneas, com técnicas clássicas, do barroco ao pré-rafaelismo.

“Têm um caráter de que poderiam ter sido pintadas há muito tempo, mas depois encontramos nelas características do nosso dia-a-dia, como a fisionomia dos rostos ou as vestes”, explicou.

O aumento anatómico dos olhos, presente em todas as suas personagens, já levou a que os críticos o comparassem a Margaret Keane.

“Os olhos transmitem as nossas emoções e se nós os aumentarmos ainda mais óbvias são essas emoções. Acaba por transmitir aquelas emoções que eu quero que as pessoas percebam e é muito engraçado que muitas vezes as pessoas estão ao pé da obra e dizem: eu sinto isto. E eu digo: foi isso mesmo que eu senti quando pintei e que eu queria transmitir. É uma sensação de missão cumprida”, revelou.

Formou-se em arquitetura para garantir um emprego estável, e chegou a trabalhar vários anos na área, primeiro no Porto e mais tarde na Alemanha, mas diz que a pintura sempre foi a primeira opção.

“Apesar de não o ter visto logo desde o início como o meu percurso profissional principal, eu sempre pintei e sempre pensei que era isto que queria fazer, o que de certa forma acabou por me facilitar o caminho”, avançou.

A crise em Portugal levou-o a emigrar para a Alemanha, em 2015, e num país com mais oportunidades de emprego decidiu arriscar e seguir o sonho da pintura.

“Comecei pelos irmãos Grimm porque era o óbvio, era o imediato que estava à minha frente, aquela fantasia, as fábulas, o folclore alemão. Uma vez explorado este tema, percebi que podia explorar outros temas com as mesmas características. Por exemplo, desenvolvi uma série ligada à religião”, disse.

Já pintou personagens tão diferentes como Cinderela, Madona, Napoleão, Maria Antonieta ou Adão e Eva, mas todos os quadros têm em comum uma ligação à fantasia.

“Todas as personagens que pinto têm um cariz muito literário, têm todos uma história por trás. Gosto de trabalhar as personagens quando conheço o que elas são”, salientou.

O artista decidiu criar uma linha de produtos ligados aos seus quadros, como sacos, almofadas ou capas de telemóveis, e prepara-se para lançar um segundo livro, sobre os trabalhos inspirados na Bíblia, para que todas as pessoas tenham oportunidade de ter “um pedacinho” das suas obras.

“A arte por si só demora muito tempo a concluir e é proporcionalmente dispendiosa para as pessoas. Eu não quero que haja essa barreira. Sinto que a arte deve estar disponível a todas as pessoas”, defendeu.

“The Paintor of Fantasy”, um conjunto de 13 obras pintadas a óleo, em diferentes camadas, está patente no Museu de Angra do Heroísmo até 07 de abril.

Apesar de já ter mostrado o seu trabalho em vários países, Tiago Azevedo admite ter um sentimento especial por esta exposição.

“É a minha terra, é onde tenho familiares. Tenho muita gente querida cá. Tenho todo o gosto de vir à terra para poder partilhar com as pessoas todo o meu percurso”, frisou.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.