Foi lançada uma petição pública para defender que o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) deve afirmar-se como Hospital Central e Universitário dos Açores. A petição foi criada a 2 de março e, até ao momento, conta com 184 assinaturas.
A carta aberta dirigida à comunidade açoriana alerta para o risco de o HDES ser reduzido a um hospital apenas vocacionado para responder às necessidades da ilha de são Miguel. Para os promotores desta petição, esse cenário representa “um retrocesso para a saúde dos açorianos”, tendo em conta o papel que o hospital desempenha há décadas na rede hospitalar da região: “O HDES sempre assumiu, na prática, o papel de hospital central dos Açores. Recebe cidadãos das nove ilhas e, ao longo dos anos, assegurou cobertura nas diferentes especialidades médicas, constituindo-se como a principal referência hospitalar da Região”, lê-se na petição.
A preocupação surge após declarações de José Manuel Bolieiro, presidente do Governo Regional, a 9 de fevereiro de 2026, nas quais defendeu “tirar partido da capacidade já instalada, resultante da estrutura modular implementada após o incêndio de maio de 2024, enquadrando-a numa resposta hospital mais robusta e ajustada às necessidades da ilha”, citado na petição.
Os autores consideram que esta posição pode significar uma alteração em relação às expectativas criadas após o incêndio que afetou o hospital e defendem que a unidade deve manter o seu papel regional. Além disso, recordam ainda que o hospital modular foi apresentado como solução provisória com um prazo de execução de três meses e com um custo estimado de 12 milhões de euros. Contundo, acabou por demorar cerca de nove meses a ser concluído e ultrapassou os 30 milhões de euros.
A petição refere ainda que a promessa do primeiro-ministro, Luís Montenegro, feita em junho de 2025, de vir a ser construído um hospital universitário em Ponta Delgada, deveria ser aproveitada como oportunidade estratégica para reforçar o papel do HDES: “A ambição da Universidade dos Açores de criar um Centro Académico Clínico no polo de Ponta Delgada continua sem resposta política clara e, o HDES como ‘hospital de ilha’, pode colocar em causa a continuidade dos preparatórios do curso de medicina”, lê-se.
“Exige-se coragem
política - livre de interesses partidários ou pressões conjunturais -
colocando os açorianos e a sua saúde em primeiro lugar. Pede-se ao
Governo dos Açores que apresente aos açorianos, no ano de 2026, um
modelo funcional e respetivo investimento em parceria com o Governo da
República, para afirmar o HDES como hospital central e universitário dos
Açores”, conclui a petição.
