Segundo o porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o australiano James Elder, "mais de 100 crianças foram mortas em Gaza desde o cessar-fogo de outubro. Isto equivale a, aproximadamente, um menino ou uma menina morta a cada dia".
Estas vítimas mortais - 60 rapazes e 40 raparigas - foram atingidas "por ataques aéreos, ataques com drones, incluindo drones kamikaze” ou “tiros de tanques, munições reais", continuou, estimando que o números de crianças mortas neste período é, provavelmente, ainda maior.
Um funcionário do ministério da Saúde de Gaza, responsável pelo registo das vítimas, relatou 165 crianças mortas, desde o cessar-fogo, num total de 442 óbitos.
"Além disso, sete crianças morreram de hipotermia, desde o início do ano", disse à agência noticiosa AFP o diretor do departamento de informação ministério da Saúde local, Zaher Al-Wahidi
Por seu turno, Elder sublinhou que as crianças em Gaza "ainda vivem com medo”, pois “o trauma psicológico permanece sem tratamento e, quanto mais tempo isso durar, mais grave e difícil será a recuperação", disse, descrevendo vidas “sufocantes" e uma sobrevivência "precária".
Aquele responsável defendeu a necessidade de haver «mais parceiros no terreno».
“Quando organizações não governamentais (ONG) importantes são impedidas de prestar ajuda humanitária e de testemunhar os acontecimentos e quando os jornalistas estrangeiros são bloqueados (...) pode-se questionar legitimamente se o objetivo não é restringir a investigação do sofrimento das crianças", disse.
Para Elder, “Um cessar-fogo que diminua os bombardeamentos é um progresso, mas um cessar-fogo que continua a enterrar crianças é insuficiente”, insistiu, acrescentando que “o que o Mundo chama de acalmia, seria considerada uma crise em qualquer outro lugar”.
Em novembro, as autoridades de Gaza anunciaram que mais de 70 mil pessoas foram mortas desde o início da guerra travada por Israel em retaliação ao ataque terrorista do grupo islamista palestiniano Hamas, em 07 de outubro de 2023.
Quase 80% dos edifícios de Gaza foram destruídos ou danificados pela guerra, de acordo com dados das Nações Unidas.
Elder denunciou também a decisão de Israel, no primeiro dia do ano, de suspender o acesso à Faixa de Gaza a 37 organizações humanitárias estrangeiras que se recusaram a fornecer às autoridades palestinianas uma lista dos seus funcionários.
“Bloquear ONG internacionais, bloquear toda a ajuda humanitária (...), é bloquear ajuda vital”, criticou.
