PCP exclui convergência com BE


 

Lusa/AOonline   Nacional   21 de Nov de 2008, 10:11

 O secretário-geral do PCP admite que a ideia de "convergência de esquerda" com o Bloco de Esquerda (BE) é hoje mais difícil, porque "pôs o carro à frente dos bois", e excluiu acordos pós-eleitorais com o PS.

    Em entrevista à Agência Lusa, Jerónimo de Sousa afirma que "particularmente da parte do Bloco existe uma preocupação de entendimentos, pensando no poder e não na convergência a partir da necessidade de uma nova política".

    "É, como diz o nosso povo, 'pôr o carro à frente dos bois'", disse.

    Em Setembro, depois da aprovação da proposta de Resolução Política (Teses) para debate nas estruturas, o líder comunista admitiu uma convergência de esquerda, incluindo o BE, com base numa ruptura das políticas seguidas pelo executivo do PS.

    Jerónimo de Sousa detectou uma "má interpretação" da parte dos bloquistas, que adiaram a resposta ao PCP sobre a "convergência" de esquerda para depois do congresso.

    "Nós queremos discutir que política é que essa alternativa iria realizar. E aqui a indefinição [do BE] é grande", afirmou.

    "Que política? Que visão estratégica para Portugal? Com muita franqueza, esta é a nossa linha de fronteira", concluiu.

    Se um entendimento com o BE é difícil - Jerónimo lembra que nas convenções bloquistas "só não chamaram pai" ao PCP… - com o PS as coisas são ainda mais difíceis, se os socialistas não conseguirem a maioria absoluta nas legislativas de 2009.

    "Não queremos ser peninhas no chapéu e dar cobertura a uma política profundamente injusta", disse.

    O secretário-geral dos comunistas disse que o PS é "um partido com bases de esquerda" mas que quando chega ao poder "faz uma política de direita" e não acredita que, no futuro, mude as "suas políticas neoliberais".

    "Hoje, olhando para política do PS, é um mero exercício académico pensar num entendimento. Porque a haver um entendimento, isso significaria uma claudicação do PCP, esquecendo os seus compromissos com o seu povo", justificou.

    Na entrevista à Lusa, o secretário-geral do PCP afirmou que o partido vai manter a Coligação Democrática Unitária (CDU), com "Os Verdes" e Intervenção Democrática (ID), com que concorrerá às próximas eleições europeias.

    As contas dos comunistas passam menos pela "preocupação" de retirar a maioria absoluta ao PS de José Sócrates nas legislativas ou de ficar atrás do BE e mais por "apresentar-se pela positiva" e "reforçar" a votação da coligação.

    "Mal seria que a direita conseguisse ganhar as eleições", disse, com um sorriso.

    O XVIII Congresso Nacional do PCP realiza-se de 29 de Novembro a 01 de Dezembro, no Campo Pequeno, em Lisboa, e o Comité Central reúne-se sábado e domingo, também na capital, para discutir e aprovar a proposta de Resolução Política (Teses), a apresentar aos congressistas. 

   

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