Debate AR - Programa do Governo

PCP diz que política do governo agrava injustiças e corrói democracia


 

Lusa/AO Online   Nacional   5 de Nov de 2009, 16:05

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou hoje o governo de falta de propostas no combate ao desemprego, de justiça fiscal ou para uma melhor distribuição da riqueza, afirmando que a política socialista agrava as injustiças e corrói a democracia.

“Esta política que agrava as injustiças é uma política que corrói o regime democrático e aumenta o desencanto popular”, afirmou Jerónimo de Sousa, na sua intervenção no debate do programa do Governo, no Parlamento.

O líder comunista deu exemplos como a “desigualdade no acesso à justiça”, a falta de “meios e resultados para o combate à corrupção e ao crime económico e financeiro”, a existência de um “manto de impunidade para os mais poderosos e que as decisões políticas e legislativas tomadas nos últimos anos contribuem para essa situação”, como a “recusa da consagração do crime de enriquecimento ilícito” ou alterações ao segredo de justiça.

Num discurso em que insistiu em alguns argumentos já apresentados na discussão desta manhã, Jerónimo de Sousa considerou que o programa do Governo “faz a clara opção de manter intocável o núcleo essencial das políticas que têm conduzido o país à estagnação e à crise”, acrescentando que o executivo recusa-se a “tirar ilações da nova realidade política” e pretende “naturalizar e legitimar uma opção de continuidade que o povo português quis derrotar ao recusar a maioria absoluta do PS”.

Num pedido de esclarecimento, a deputada socialista Ana Catarina Mendes desafiou Jerónimo de Sousa a comentar propostas hoje anunciadas pelo primeiro-ministro, como o aumento das pensões, o alargamento das condições de acesso ao subsídio de desemprego e o acordo com os parceiros sociais para definir novos aumentos progressivos do salário mínimo a médio-prazo.

Sobre estas medidas, o líder comunista “nada quis dizer”, acusou a deputada do PS, afirmando que, “para o PCP, mais vale dizer que está tudo mal porque assim não é preciso fazer rigorosamente nem contribuir para as melhores soluções que os portugueses precisam”.

Jerónimo de Sousa prometeu que os comunistas manterão o combate “a uma política que é igual”.

“Como é que quer que alteremos esse combate e essa denúncia, se este governo deu aqui um exemplo cabal de que no essencial, naquilo que é estruturante, vai prosseguir com a mesma política?”, questionou.

Admitindo a existência de divergências entre os dois partidos, Jerónimo de Sousa sublinhou que será possível encontrar convergências se houver uma resposta “àquilo que são os anseios do povo português e àquilo que levou à condenação deste governo, retirando-lhe a maioria absoluta”.

“Não se pode andar em campanha eleitoral a dizer que se é de esquerda e depois no programa do Governo adoptar as soluções neo-liberais, particularmente no plano da justiça social”, destacou.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.