PCP alerta para “retoma formal ou informal” do Bloco Central e “onda de populismo”

PCP alerta para “retoma formal ou informal” do Bloco Central e “onda de populismo”

 

LUSA/AO Online   Nacional   21 de Jan de 2018, 21:41

O PCP alertou hoje para uma "retoma formal ou informal" do Bloco Central e fala de uma "onda de populismo" acerca da lei do financiamento dos partidos na qual inclui o Presidente da República.

"O Comité Central do PCP alerta e denuncia o desenvolvimento de projetos reacionários que, quer a partir das forças do grande capital e dos setores políticos a elas associados no PSD, no CDS, mas também no interior do PS, quer com recurso à criação e promoção de soluções populistas ou à retoma formal ou informal do chamado Bloco Central, visam intensificar a exploração e retomar o rumo de liquidação de direitos", defendeu o secretário-geral comunista. Nas conclusões da reunião do órgão máximo do PCP entre congressos, Jerónimo de Sousa respondeu aos jornalistas que a "eleição do novo presidente do PSD, tendo em conta até declarações feitas", demonstra o alerta feito. "Pensamos que, com um bloco central mais ou menos formal, com o PS sozinho ou acompanhado por qualquer dessas componentes, o que pensamos é que não permitirá esta perspetiva de evolução positiva no plano da reposição de rendimentos e direitos", argumentou. Questionado sobre as "soluções populistas" a que se refere o PCP, Jerónimo de Sousa respondeu que a lei do financiamento dos partidos é "um exemplo paradigmático" e apontou à posição do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que vetou politicamente o diploma, devolvendo-o ao parlamento. Questionado sobre a atitude do Presidente como parte dessa "onda de populismo" respondeu: "É uma consequência. O Presidente da República vetou e enviou o texto para a Assembleia da República, sendo de sublinhar que não tinha qualquer reserva constitucional às alterações". "Então qual foi a razão objetiva, não havendo inconstitucionalidades, que o levou a vetar e a reenviar essa lei para a Assembleia da República? É uma pergunta que, naturalmente, tem de ser respondida pelo Presidente da República", sustentou. O PCP está disponível para reconfirmar a lei vetada, ressalvando que a necessidade de uma maioria qualificada coloca o ónus no PSD (o PS já anunciou que confirmará o diploma). "É necessário uma maioria qualificada, aqui pesa, com certeza, o posicionamento do PSD, que esteve de acordo com as alterações. Em relação ao BE, acho que se está a fazer de morto, ainda não descobri qual é o posicionamento", afirmou Jerónimo de Sousa. O líder comunista vincou que, "mesmo no quadro de uma onda de populismo", o partido não altera a sua "posição séria e responsável", ao "contrário de outros, que parece que ficaram um bocado assustados com a dimensão da ofensiva". "Nós mantemos o nosso posicionamento contrário àquela lei de ingerência, arbítrio, que está em vigor. Essas alterações, em resultado do apelo do Tribunal Constitucional, estamos disponíveis para essa clarificação e para a transparência que nestas matérias tem de haver", defendeu. Segundo Jerónimo de Sousa, criou-se em torno desta lei "uma mistificação, uma trafulhice autêntica, que tinha, aparentemente, como alvo todos os partidos, mas vai-se destapando e vai-se verificando que o alvo preferencial era o PCP". O Comité Central do PCP decidiu hoje a realização de uma "campanha nacional de esclarecimento, informação e contacto com os trabalhadores" com início em fevereiro, envolvendo "ações em defesa dos serviços públicos", em que se integram os encontros nacionais do PCP sobre a situação na educação e na saúde, a 17 e 21 de abril. O PCP decidiu também dedicar o dia 08 de fevereiro à "degradação dos correios e pelo controlo público dos CTT". As comemorações do segundo centenário do nascimento do filósofo alemão Karl Marx, coautor do Manifesto Comunista, iniciam-se a 24 e 25 de fevereiro com uma conferência na Voz do Operário, em Lisboa, anunciou igualmente Jerónimo de Sousa.



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