PCP/Açores inicia jornadas "em defesa" do Serviço Regional de Saúde

O PCP/Açores iniciou esta segunda-feira umas "jornadas em defesa do Serviço Regional de Saúde", para preparar uma interpelação ao governo açoriano no parlamento da região, alertando que o acesso à saúde nas ilhas tem vindo a ser limitado.


 

Em declarações à Lusa, o líder do PCP nos Açores e deputado na Assembleia Legislativa Regional, Aníbal Pires, considerou que o Serviço Regional de Saúde (SRS) enfrenta "alguns problemas" que os comunistas querem "conhecer melhor" durante esta semana através de uma série de contactos com unidades de saúde, sindicatos e ordens profissionais.

"Pela avaliação que fazemos, vamos percebendo que o Serviço Regional de Saúde, nos últimos anos, tem vindo, de alguma forma, a limitar o acesso à saúde à generalidade dos cidadãos por medidas que foram sendo introduzidas, designadamente, a introdução de taxas moderadoras, mas também pela forma como o SRS e quem o tutela tem vindo a procurar resolver um problema que tem a ver o serviço da dívida do SRS", afirmou Aníbal Pires.

Para os comunistas, "estas questões são passíveis de ser melhoradas" e o intuito destas jornadas é melhorar também a "capacidade de propositura" do PCP em relação aos problemas da Saúde nos Açores.

Já na interpelação que pretende fazer ao Governo Regional, possivelmente em outubro, o PCP quer "perceber qual a disponibilidade" do executivo para "melhorar o SRS e atacar alguns problemas crónicos que o afetam" e que "podem, a prazo, pôr em causa a sua própria sustentabilidade".

Aníbal Pires apontou que o Governo Regional tem, por exemplo, vindo a tomar medidas no sentido de tornar o SRS "muito parecido com o sistema empresarial", quando ele deve "garantir o acesso a todos", deve ser "público" e "tendencialmente gratuito".

Por outro lado, o executivo insiste no "subfinanciamento" do SRS, "desviando verbas que devem ser encaminhadas para este setor para outros cujo funcionamento não cabe ao Governo Regional assegurar".

"É necessário que o financiamento dos hospitais seja feito de modo a que o maior encargo não seja o dos serviços da dívida. O que se verifica anualmente é que nos relatórios do Tribunal de Contas os EPE [hospitais empresa] apresentam défices elevadíssimos, mas quando analisamos mais fino encontramos facilmente que os hospitais têm vindo a diminuir custos no seu funcionamento mas não conseguem resolver o problema da dívida", afirmou, sublinhando que este problema "complexo" acaba por afetar o funcionamento das unidades de saúde.

Aníbal Pires apontou ainda a falta de médicos de família na região ou a concentração dos especialistas nos hospitais, sem irem aos centros de saúde.

"Há, portanto, aqui uma panóplia de problemas para os quais é necessário olhar e, sobretudo, tomar decisões", reforçou, alertando que a nível dos utentes surgem "queixas contínuas" em relação ao SRS e também os próprios profissionais de saúde "colocam em causa algumas medidas que têm sido adotadas".

 

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