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Passos e Portas tudo fazem para desviar as atenções

Passos e Portas tudo fazem para desviar as atenções

 

Lusa/AO online   Economia   31 de Out de 2013, 16:35

O secretário-geral do PS acusou esta quinta-feira o primeiro-ministro de tudo fazer para desviar atenções do debate do Orçamento, depois de confrontado com o desafio para celebrar com o Governo um compromisso de redução estrutural da despesa.

António José Seguro falava aos jornalistas na Assembleia da República, no final da sessão de abertura do debate na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2014.

Hoje, logo na sua intervenção inicial do debate, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou que o Governo quer reduzir a carga fiscal de modo permanente e defendeu que esse objetivo depende de um compromisso político de médio e longo prazo para a redução da despesa que envolva o PS.

Interrogado pelos jornalistas se aceita sentar-se à mesa com o executivo para concretizar essa reforma do Estado, António José Seguro deu a seguinte resposta: "O Governo, o primeiro-ministro e o vice-primeiro-ministro [Paulo Portas] fazem tudo para desviar as atenções da vida e dos problemas dos portugueses e deste Orçamento, que apresenta brutais cortes das pensões, dos salários, na educação ou saúde".

"Não alinho em desvirtuar o debate [do Orçamento do Estado para 2014] e, por isso, estou concentrado em demonstrar que esta proposta do Governo é um plano de cortes que empobrecerá e afundará ainda mais o país. O país precisava de ter outro Orçamento e outra estratégia de finanças públicas que estivesse ao serviço do país", declarou.

Nas respostas que deu aos jornalistas, António José Seguro referiu que o PS "defende uma estabilização da economia e um limite para a despesa corrente primária, excluindo os estabilizadores automáticos e também o investimento".

"Agora, se o Governo está de acordo com essa proposta, não quer dizer que esteja de acordo com todas as outras que fazemos desde junho. O PS defende uma estabilização da economia, mas o Governo defende cortes; o PS quer prioridade ao emprego e crescimento e o Governo quer mais austeridade, como vai acontecer neste Orçamento. Entre nós e este Governo há uma grande distância face ao modo como devemos sair desta crise", sustentou o secretário-geral do PS.

Questionado sobre o motivo que o levou a dizer que Portugal pode ficar pior depois de a 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) sair do país, Seguro esclareceu que a 'troika' sair em junho de 2014 "não é novidade, porque isso está previsto desde maio de 2011".

"Mas o Governo cria a ilusão que a 'troika' indo embora leva também os problemas, mas, infelizmente, isso não é verdade. O que digo e reafirmo é que os problemas do país, a começar na taxa de desemprego, são maiores do que há dois anos", acrescentou.

Interrogado se aceita o desafio do vice-primeiro-ministro para entrar num processo de revisão constitucional, Seguro disse que recusará em absoluto "desmantelar o Estado social".

Sobre a inclusão da chamada 'regra de ouro' (de inscrição de limites ao défice e dívida) na lei fundamental, o líder socialista observou que houve já uma decisão do parlamento de colocar essa regra que decorre do Tratado Orçamental da União Europeia "numa lei de valor reforçado".

Instado a comentar a ideia de Pedro Passos Coelho de que o PS é um partido "acossado", António José Seguro contrapôs: "Acho que o primeiro-ministro deveria governar em vez de estar permanentemente preocupado com o PS".


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