Parceria entre Portugal e Angola deve ser "discutida" entre presidentes da República

Parceria entre Portugal e Angola deve ser "discutida" entre presidentes da República

 

Lusa/AO Online   Economia   17 de Out de 2013, 08:21

A parceria estratégica e as relações entre Portugal e Angola devem ser "discutidas", ao mais alto nível, entre os presidentes da República dos dois países, defende o presidente do BIC Angola, Fernando Teles.

 

"Tem de haver por parte dos mais altos dirigentes portugueses uma reflexão sobre o que se passa em Portugal relativamente a Angola, porque os angolanos em Portugal são bem tratados, mas os portugueses em Angola também se sentem bem. Isso é útil e é importante para os dois países", afirmou numa declaração ao telefone, esta quarta-feira, após uma entrevista à Lusa em Lisboa, realizada no início desta semana.

"Os altos dirigentes [dos dois países], se calhar o professor Cavaco Silva com o Presidente José Eduardo dos Santos, devem aprofundar relações e perceber porque é que isto está a acontecer", reforçou.

Segundo o gestor, este é o caminho a seguir para a normalização das relações entre os dois países.

"Só pode ser. Os dois presidentes têm boas relações e há situações que não estão a ser corretas e têm que ser discutidas, têm que ser conversadas", sublinhou.

Para o presidente do Banco BIC Angola "é importante que os dois países se entendam, que haja por parte do Governo português colaboração com o governo angolano, no sentido de ultrapassar os mal entendidos". Porque, considera, "a situação pode não ser governo a governo, pode ser mais ao nível das notícias que vazam para a comunicação social. Não é normal que processos que estejam em segredo de justiça, que, se calhar, não têm fundamento nenhum, e julgo mesmo que não têm fundamento nenhum, estejam a ser tratados desta forma pela comunicação social", adiantou o gestor.

Fernando Teles comentava, assim, a situação sobre as relações Portugal-Angola, após o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos ter anunciado em Luanda o fim da parceria estratégica com Portugal, durante o seu discurso, esta terça-feira, sobre o estado da Nação, na Assembleia Nacional de Angola.

Portugal e Angola têm previsto realizar, em Luanda, em fevereiro do próximo ano, a primeira cimeira bilateral, cuja realização foi anunciada em fevereiro passado pelo então ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas.

O responsável do Banco BIC Angola diz que faz votos "para que a declaração do Presidente seja essencialmente um alerta e sobretudo que seja um murro na mesa relativamente a uma situação que não devia estar a acontecer e está a acontecer em Portugal relativamente a Angola". E referiu "não se vê ninguém em Angola a atacar Portugal a não ser em resposta a situações que acontecem em Portugal e não deviam acontecer".

Questionado se seriam só as notícias sobre processos em segredo de Justiça que estariam na base de toda esta situação, o gestor respondeu: "Não sei se são só os processos que estão em segredo de justiça e que vêm a público que estão na base de tudo isto, mas mesmo que seja (...) é demasiado grave que assuntos que estão nos tribunais e que estes estão a analisar que haja pessoas que façam este tipo de passagem [de informação] para a comunicações social. Porque no dia-a-dia as pessoas acabam na praça pública por serem julgadas. Não é normal. E vêm-se muitos casos, que depois as pessoas são ilibadas, mas, entretanto, já foram condenadas pelo público (...).

Quanto ao impacto no BIC desta situação, diz o banco "está em Portugal e em Angola e vai continuar a estar. Mas o que queremos é que não haja fim da parceria estratégica e que haja boas relações entre os dois países".

 


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