Segundo o partido, "a recusa do ministro em prestar esclarecimentos substantivos, limitando-se a afirmar que o Governo acompanha o processo de descontaminação, revela uma preocupante incapacidade de assumir responsabilidade pública" numa matéria "sensível" para a saúde da população, traduzindo-se numa "afronta à população, que exige transparência, rigor e ação imediata".
O PAN sustenta ainda que as dúvidas em torno da contaminação ganham maior relevância face ao aumento da utilização da Base das Lajes e à persistência de interrogações sobre uma eventual ligação à incidência de doenças oncológicas na ilha Terceira.
Para o PAN/Açores, é "um exercício de evasão política que não pode ser normalizado, sobretudo por estar em causa um problema de saúde pública de elevada gravidade que se arrasta há anos" e que "é agora incrementando com o aumento da utilização da Base das Lajes, permanecendo a dúvida da sua relação com a taxa de doentes oncológicos na ilha" Terceira.
Em comunicado, a representação parlamentar do PAN na Assembleia Legislativa dos Açores considera também"preocupante que a Força Aérea mantenha animais, nomeadamente bovinos, em terrenos cuja contaminação direta e indireta por hidrocarbonetos é reconhecida", alertando para o facto de estes poderem "ser introduzidos na cadeia alimentar, levantando sérias questões de segurança sanitária e de responsabilidade institucional, sem prejuízo dos riscos para a população".
O porta-voz do PAN/Açores, e deputado único do partido no parlamento açoriano, Pedro Neves, considera "imperativo que a Direção Regional adote medidas urgentes, incluindo a retirada dos animais das zonas de risco e a realização de análises independentes e sistemáticas aos mesmos".
O parlamentar, citado na mesma nota de imprensa, defende ser essencial manter uma monitorização contínua da qualidade das águas e promover sessões públicas de esclarecimento à população, de forma a garantir transparência, permitir a adoção de medidas de proteção sempre que necessário, "contendo o alarme social".
“A população tem o direito de saber qual o risco real, quais as implicações sanitárias e ambientais, e que medidas estão a ser implementadas para mitigar danos que podem ser irreversíveis", defende Pedro Neves.
A "opacidade não é uma estratégia quando está em causa a segurança das pessoas. É urgente abandonar esta postura de distanciamento e reconhecer que a gestão desta crise, também ambiental, exige comunicação rigorosa, cooperação institucional e respeito absoluto pela verdade", acrescenta Pedro Neves.
