Ordem lança programa de saúde mental para enfermeiros com consultas e linha SOS

A Ordem dos Enfermeiros (OE) anunciou a criação de um programa gratuito de saúde mental e bem-estar dirigido a esses profissionais de saúde, que inclui consultas e uma linha SOS disponível 24 horas por dia



A iniciativa OEquilíbrio enquadra-se na “necessidade de reforçar a atenção dada à saúde mental dos enfermeiros, num contexto em que os dados disponíveis revelam uma realidade preocupante”, justificou a ordem em comunicado.

A OE salientou que um estudo de 2024 indica que 74,3% dos enfermeiros inquiridos avaliavaram negativamente a sua saúde mental, adiantando que outros estudos identificaram também “níveis relevantes de `burnout´”, sobretudo, entre os profissionais que trabalham por turnos e nos serviços de urgência.

Segundo referiu, o programa permite o acesso dos enfermeiros que tenham a sua inscrição ativa na ordem a até seis consultas de psicologia/saúde mental em cada período de 12 meses.

“Nos casos de indicação clínica e referenciação, o enfermeiro pode beneficiar gratuitamente de cinco consultas de psicologia/saúde Mental e uma consulta de psiquiatria”, salientou ainda OE.

Estas consultas podem ser presenciais ou realizadas por teleconsulta, integrando uma rede clínica que abrange todos os distritos de Portugal continental e as regiões autónomas dos Açores e da Madeira, referiu a ordem.

Além disso, OEquilibrio, lançado na segunda-feira, inclui também uma linha SOS de saúde mental, disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, para “aqueles momentos em que esperar pelo dia seguinte pode ser demasiado”, avançou a ordem liderada por Luís Filipe Barreira.

A OE adiantou também que nova plataforma permite ainda marcar e gerir consultas, utilizar um `chat´ clínico e aceder a conteúdos sobre a saúde mental e os autocuidados.

O novo programa “não substitui a necessidade de melhorar as condições de trabalho dos enfermeiros”, alertou o bastonário citado no comunicado, para quem a proteção da sua saúde mental exige também “dotações adequadas, horários compatíveis com o descanso, estabilidade profissional, valorização da carreira e ambientes de trabalho seguros”.

“O equilíbrio é a resposta que a ordem pode dar já. E vamos dá-la. Mas continuaremos a exigir a quem tem responsabilidades na organização do sistema de saúde que faça também a sua parte”, salientou Luís Filipe Barreira.

Segundo as condições da plataforma, a OE não tem acesso a dados individuais de utilização, clínicos ou de identificação, toda a informação clínica é tratada ao abrigo do sigilo profissional dos prestadores e o programa cumpre integralmente o Regulamento Geral de Proteção de Dados.


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