"Há uma mudança de posição de Oliveira e Costa e agora a bola está do lado dele. Esperamos que diga tudo o que sabe", disse Honório Novo, deputado do PCP, à agência Lusa, em alusão à primeira audição do ex-presidente do BPN em Janeiro, na qual invocou o estatuto de arguido para não responder às questões colocadas pelos deputados.
Hoje, pela segunda vez, Oliveira e Costa volta ao Parlamento, desta vez por sua própria iniciativa, e os deputados ainda não sabem se o responsável se disponibilizará para responder a perguntas, ou se preferirá limitar-se a fazer uma declaração inicial, invocando depois o estatuto de arguido para permanecer em silêncio.
"Vamos questionar Oliveira e Costa sobre os negócios do grupo desde 2000 até ao seu afastamento em 2008", afirmou o deputado do PCP, acrescentando que espera que a audição sirva para "avivar a memória de muita gente que anda com amnésia, entre eles, antigos accionistas do BPN".
Quanto à actuação dos supervisores no caso BPN, Honório Novo disse que se assemelha "ao jogo do rato e do gato, sendo que os supervisores fizeram o papel de rato".
"Queremos saber qual era o real conhecimento de antigos administradores e directores-gerais e mesmo de alguns quadros de topo que se mantêm em funções, para além de os accionistas que sabiam mais do que disseram", sublinhou.
Fonte do CDS garantiu à Lusa que o deputado Nuno Melo vai "pôr em cima da mesa as várias contradições detectadas durante os trabalhos da comissão". "Será pedida informação e explicações sobre negócios e será apresentada uma espécie de cronologia", antecipou.
"A tese de que no BPN havia um só homem já caiu. Queremos saber quem é que sabia das operações que conduziram o banco à nacionalização", acrescentou a fonte centrista.
Ricardo Rodrigues, deputado do PS, disse à Lusa que vai aproveitar a presença de Oliveira e Costa para "ver o que ele irá dizer sobre a supervisão" e disse aguardar pela confirmação se o ex-presidente do BPN "vai ou não ter disponibilidade para responder às perguntas" dos deputados.
João Semedo, deputado do Bloco de Esquerda, revelou à Lusa que o seu partido quer ver esclarecidos quatro pontos principais - "as relações entre o banco e a supervisão. O que foi estratégia [do BPN] de ocultar informação, e o que foi incompetência [do supervisor]".
"Queremos apurar quais são as responsabilidades de outros administradores e accionistas do BPN, já que há muitos equívocos", prosseguiu João Semedo, que apontou como exemplo as duas audições de Dias Loureiro, falando ainda de Luís Caprichoso.
"Luís Caprichoso é o grande ausente desta comissão, já que se recusou a prestar declarações, apesar de ter sido administrador do BPN durante muitos anos e o responsável pelas mais de 90 'offshores' do grupo", sublinhou o deputado bloquista.
O terceiro bloco de perguntas concentrar-se-á [em virtude da disponibilidade de Oliveira e Costa para responder a questões] nas operações financeiras, "muitas delas aparentemente fictícias, nos financiamentos a certos empresários, aos negócios imobiliários, aos negócios de Porto Rico e no Banco Insular", segundo João Semedo.
O deputado do Bloco de Esquerda quer ainda ver esclarecida "a titularidade de um conjunto de sociedades, empresas e offshores, que às vezes eram apontadas como pertença do grupo, e outras (quando não interessava) já não".
Lusa/AO On line
