Outsiders propõe radiografia das contradições dos EUA

Os Estados Unidos que não aparecem nas grandes plataformas de streaming nem nas salas comerciais chega a São Miguel através do olhar criterioso do curador Carlos Nogueira.




O ciclo Outsiders – Cinema Independente Americano chega a São Miguel na sua quinta edição, com uma programação que propõe um olhar atento sobre a contemporaneidade dos Estados Unidos, refletindo as suas contradições sociais, económicas e culturais, entre os dias 9 e 12 de abril, no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande.

Depois de passar por Lisboa e Porto, o ciclo apresenta cinco filmes de realizadores independentes americanos, todos com percurso nos mais prestigiados festivais internacionais de cinema e que nunca estrearam em Portugal, nem estão disponíveis em plataformas de streaming.

“Se olharmos com atenção para os cinco filmes que compõem o programa, o que salta à vista é a radiografia contemporânea de um país. Um país cheio de contradições, uma sociedade com reconhecidas fraturas que atravessa um momento de profunda crise existencial, mas que não cessa de nos fascinar”, afirmou Carlos Nogueira, curador do ciclo, ao Açoriano Oriental.

Para o curador, o Outsiders nasce de uma necessidade concreta: “Percebi que havia muito material interessante que se perdia para o espectador português. Tentamos suprir essa falha, recuperando filmes sem grandes estrelas ou orçamentos gigantescos, que circulam em festivais independentes americanos e depois tendem a desaparecer.”

A sessão de abertura realiza-se na quinta-feira, dia 9 de abril, às 21h00, com aexibição de Peak Season,de Steven Kanter e Henry Loevner, exibido no South by Southwest. O filme acompanha dois jovens nova-iorquinos em férias numa estância de luxo, confrontados com escolhas pessoais desafiantes.

Na sexta-feira, dia 10 de abril, às 21h00, será exibido Keep Quiet, de Vincent Grashaw, um retrato intenso da vida quotidiana numa reserva indígena norte-americana, com a participação do ator Lou Diamond Phillips. Carlos Nogueira descreve-o como “um thriller que foca nos problemas desse grupo esquecido da sociedade americana”.

O sábado, dia 11 de abril, inclui duas sessões. Às 15h00, The Featherweight, de Robert Kolodny, retrata o lendário pugilista Willie Pep numa fase tardia da sua carreira. Às 18h00, Good One traz uma narrativa sensível sobre adolescência, relações familiares e rutura emocional - aquilo que o curador classifica como “um filme sobre a passagem à idade adulta, que pode ser traumática”.

O ciclo encerra no domingo, dia 12 de abril, às 18h00, com Fantasy Life, de Matthew Shear, uma comédia romântica protagonizada por Amanda Peet, cuja interpretação foi distinguida no South by Southwest. Carlos Nogueira compara o filme ao universo de Woody Allen, descrevendo-o como uma história sobre “um grupo privilegiado nova-iorquino de origem judia”.

A chegada do Outsiders à Ribeira Grande insere-se nas comemorações de PDL2026 – Capital Portuguesa da Cultura, o que, segundo o curador, “cria uma grande expectativa” em torno da iniciativa.

A presença nos Açores era um objetivo desde a primeira edição, em 2020, mas a pandemia adiou os planos. Em 2022, o ciclo chegou à Ilha Terceira, passando pela Praia da Vitória e por Angra do Heroísmo. Este ano, a Ribeira Grande foi escolhida após problemas técnicos com o equipamento de projeção do Teatro Micaelense.

O Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas aproveita a ocasião para estrear um novo sistema de projeção de cinema, apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito da sua participação na Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC). Um investimento que reforça as condições técnicas da instituição e abre caminho para uma presença mais regular do cinema na sua agenda.

A iniciativa é promovida pela FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, em parceria com o Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas. A entrada em todas as sessões é gratuita.

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