Oceanos: Cientistas e ambientalistas pedem regulamentação para área protegida dos Açores

Cientistas e ambientalistas salientaram a importância da aprovação da maior rede de área protegida do Atlântico Norte, nos Açores, criada há seis meses, e pediram agora que se prossiga com a sua implementação e regulamentação.



Para o administrador e coordenador científico da Fundação Oceano Azul, Emanuel Gonçalves, “o que os Açores alcançaram está a ser observado por muitos países do mundo aqui na Conferência das Nações Unidas em Nice [França]. Este exemplo vai estar em destaque porque conjugou um conjunto de passos e decisões que não são fáceis de obter”.

O processo que conduziu à criação da área protegida pelo Governo Regional dos Açores, foi feito em colaboração com a Universidade dos Açores, a Fundação Oceano Azul e o Instituto Waitt dos Estados Unidos da América.

Para Emanuel Gonçalves, foi “um processo inovador e corajoso, mas tem por detrás o conceito de que, com mais natureza, vamos ter mais valor a ser alcançado a partir dessa natureza e gerar mais emprego, mais economia a ser gerada pela natureza. Sabemos que isto é urgente para uma região como os Açores, uma região remota”.

Questionado sobre uma proposta do PS/Açores de alteração à lei de área marinha protegida para que passe a ser permitida a pesca do atum em salto e vara na zona totalmente protegida, a fundação “não compreende essa alteração”.

“O processo [de criação da área marinha protegida] foi solidamente suportado por evidência científica, o Governo dos Açores fez um processo de consulta a todos os utilizadores que nunca tinha sido feito em Portugal, estruturado e demorado com integração dos diferentes pontos de vista as próprias organizações de pescadores propuseram grande parte das áreas, alterar uma realidade que ainda não foi implementada parece-nos um erro que sairia caro ao país e aos Açores”, advertiu.

No mesmo sentido, Ana Colaço, da Universidade dos Açores, disse à Lusa que “falta agora fazer os planos de gestão. Algumas destas áreas já faziam parte do parque marinho dos Açores e já não havia medidas extrativas, não havia pesca de fundo – mas agora para estas todas há necessidade de fazer regulamentação”.

Para a cientista, são precisas mais áreas marinhas oceânicas que acabem “por funcionar em rede porque as espécies marinhas não conhecem fronteiras, elas dispersam-se por migração ou porque as larvas vão de um lado para o outro na coluna de água e estas espécies devem permanecer saudáveis e estar em bom estado ambiental”.

O presidente da associação ambientalista Zero disse que relativamente às Áreas Marinhas Protegidas Portugal “tem ainda algumas contradições, num dos casos ameaças sistemáticas de determinado tipo de pesca na Madeira e nos Açores", e que a Zero tem procurado estar atenta para que "estas políticas não avancem nesse sentido”.

“Falta muito a parte da gestão das áreas protegidas costeiras, temos várias áreas da Rede Natura 2000, que já se sabe o que é preciso fazer, mas ainda não passaram a legislação e muito menos a ser implementadas”.

Um grupo de cientistas, representantes de organizações não governamentais, e a Fundação Oceano Azul estão hoje a viajar a bordo do Santa Maria Manuela, um antigo bacalhoeiro que atualmente se dedica ao turismo e a expedições.

A embarcação saiu ao final da manhã do Mónaco e vai chegar ao porto de Nice pelas 18:00 (17:00 em Lisboa) para participar no desfile inaugural da Conferência da ONU sobre o Oceano, cujos trabalhos se iniciam na segunda-feira.

PUB

Premium

A funcionar desde outubro, a Unidade de Hospitalização Domiciliária do Hospital do Divino Espírito Santo já internou 18 doentes em casa, oferecendo cuidados de nível hospitalar no domicílio, com uma equipa multidisciplinar dedicada, menor risco de infeções e quedas, maior conforto para o doente e melhor gestão das camas hospitalares