As obras de requalificação da Igreja Matriz de São Sebastião, no centro de Ponta Delgada, deverão arrancar no início do mês de maio e têm como prioridade absoluta a intervenção no telhado do edifício, cuja degradação tem provocado infiltrações frequentes e levantado sérias preocupações na comunidade paroquial.
Segundo explicou o cónego Adriano Borges ao Açoriano Oriental, as infiltrações são constantes e tornam-se particularmente evidentes nos dias de chuva. “Além das infiltrações pelas paredes, existem zonas da igreja onde há goteiras”, afirmou, sublinhando que os problemas se localizam sobretudo na cobertura do edifício.
A situação do telhado é, neste momento, a principal preocupação da paróquia. Embora exista a quase certeza de que há infestação de térmitas, a real dimensão do problema continua por apurar. “Sabemos que chove e temos quase 100% de certeza que há térmitas, agora onde e como afetaram é que não sabemos”, explicou o cónego.
A dificuldade em avaliar o estado da estrutura prende-se com o facto de a igreja não ter acesso interior ao telhado. A única forma de inspeção possível é pelo exterior, o que obriga à remoção das telhas para perceber se o problema afeta apenas o forro ou se compromete também as traves principais. “Só quando se levantar a telha é que vamos descobrir o que se passa”, frisou. A intervenção prevista terá de ser feita de forma gradual.
O orçamento inicial, estimado em cerca de 100 mil euros, foi elaborado com base numa medição exterior do telhado, uma vez que não foi possível avaliar o interior da estrutura. Este valor cobre apenas a intervenção na cobertura e não inclui eventuais obras no forro ou nas traves.
Caso se confirme a necessidade de substituir o forro e partes estruturais da cobertura, os custos poderão aumentar de forma significativa. “Se for necessário substituir forro e traves, triplica a mão de obra e triplica o material”, alertou o cónego Adriano Borges.
O pároco admite que, nesse cenário, o custo global da obra poderá aproximar-se dos 500 mil euros. Uma das opções em cima da mesa passa pela substituição da madeira por materiais metálicos, mais duráveis e menos vulneráveis às térmitas. “As térmitas migram e voam. Num raio de 500 metros seria preciso que todos os edifícios estivessem tratados, o que é praticamente impossível”, explicou.
Os cerca de 100 mil euros atualmente disponíveis resultam de uma poupança acumulada ao longo de vários anos, iniciada ainda no tempo do anterior pároco, o padre Nemésio, e continuada com uma gestão rigorosa das contas paroquiais. No entanto, o cónego considera este valor manifestamente insuficiente face à dimensão total da intervenção necessária.
A paróquia já iniciou contactos institucionais para garantir financiamento adicional. A Câmara Municipal de Ponta Delgada manifestou disponibilidade para colaborar financeiramente, embora o montante ainda não esteja definido. Também o Governo Regional deverá ser contactado numa fase posterior.
“Estes 100 mil euros são um fundo de maneio para iniciar a obra. Só depois de conhecermos a real dimensão dos danos é que poderemos apresentar um orçamento definitivo às entidades”, explicou o pároco, sublinhando a importância da recuperação de “um património icónico da cidade”.
Apesar da complexidade da intervenção, a intenção da paróquia é manter a igreja aberta ao culto durante a primeira fase das obras. Algumas zonas poderão ser vedadas por razões de segurança, nomeadamente na área da sacristia, considerada a mais crítica.
O encerramento total do templo só acontecerá se os técnicos assim o determinarem. “Essa não é uma decisão do padre, é uma decisão técnica”, esclareceu Adriano Borges.
Caso seja necessário suspender as celebrações, existem alternativas em estudo, como a Ermida de São Brás para as missas semanais ou, em último recurso, a igreja dos Bairros Novos ou outros espaços da cidade.
O pároco deixou ainda uma mensagem de tranquilidade aos noivos que têm casamentos marcados para este verão. “Ninguém vai deixar de se casar. Se for preciso, os casamentos podem ser transferidos para outras paróquias”, garantiu.
No final, o cónego Adriano Borges fez um apelo direto à população da paróquia de São Sebastião. “Esta necessidade está à vista de todos. Agradecemos a generosidade que tem existido, mas isto ainda é uma gota no oceano”, afirmou, pedindo o envolvimento da comunidade local na salvaguarda de um dos mais importantes templos do centro histórico de Ponta Delgada.
