Dia do não fumador

Novo medicamento aumenta taxa de sucesso dos candidatos a deixar de fumar

Novo medicamento aumenta taxa de sucesso dos candidatos a deixar de fumar

 

Lusa / AO online   Nacional   16 de Nov de 2007, 10:59

Um novo medicamento disponível no mercado português desde Março deste ano, mas de prescrição médica obrigatória, aumenta para cerca de 50 por cento a taxa de sucesso dos candidatos a deixar de fumar, afirmou o pneumologista Agostinho Marques.
Em declarações à Lusa a propósito do Dia do Não Fumador, que se assinala sábado, Agostinho Marques, director da Faculdade de Medicina do Porto, disse que a taxa de sucesso da terapêutica convencional utilizada nas consultas de cessação tabágica rondava "os 20 e pouco por cento", mas com o novo medicamento, de acordo com estudos internacionais, essa taxa aumenta para cerca de 50 por cento.
Esta nova terapêutica ajuda, segundo o especialista, a eliminar os efeitos da privação do tabaco, como a irritabilidade, a ansiedade, o desejo compulsivo de fumar, os distúrbios do sono e o aumento do apetite e do peso.
Isso mesmo foi confirmado à Lusa por Armando Jorge da Silva, de 50 anos, fumador desde os treze.
"Deixei de fumar muito facilmente, sem stress e sem subir pelas paredes", frisou.
Tomou a decisão de abandonar o vício do tabaco há cinco meses, iniciando o tratamento com o novo medicamento, de que "já tinha ouvido falar".
A duração média do tratamento é de cerca de três meses, mas Armando da Silva deixou a medicação "ao fim de 56 dias".
"Não senti necessidade nenhuma de continuar a medicação, apesar de ter consciência de que a guerra ainda não está ganha e que o processo ainda está em curso", acrescentou.
Após "quatro ou cinco" tentativas infrutíferas para deixar de fumar, Armando da Silva conseguiu finalmente obter os resultados que ambicionava.
"Ouvi uma colega minha dizer que tinha aderido à nova terapêutica e tinha deixado de fumar sem dificuldade. Informei-me, disseram-me que não tinha efeitos colaterais e decidi avançar", contou à Lusa.
Reconhece que durante algum tempo "vingava-se" nas bolachas, mas até esse vício disse já ter perdido.
"Notei melhorias logo ao fim de oito dias, por exemplo no sabor da comida, já para não falar na melhoria que estou a sentir na carteira", sublinhou.
Feitas as contas, Armando da Silva já percebeu que com o que poupa num ano, pode pagar "umas belas férias".
Recuperou o paladar, mas também o olfacto.
"Enquanto fumei, nunca senti o cheiro do tabaco na roupa, por exemplo. Um destes dias, o meu filho chegou a casa depois de uma passagem por um bar da Ribeira e eu incomodei-me com o cheiro intenso, a tabaco, da sua roupa", frisou.
O fármaco, disponível nas farmácias desde Março, é de prescrição médica, sendo, por isso, obrigatório recorrer ao médico de família ou às consultas de cessação tabágica para iniciar o programa.
As restantes opções, que existem no mercado, são as chamadas TSN - Terapêuticas de Substituição de Nicotina e são de venda livre (pastilhas e pensos de nicotina).
Neste caso, segundo Agostinho Marques, a taxa de sucesso ronda os cinco por cento.
O especialista explicou que o novo medicamente deve começar a ser tomado uma semana antes de deixar de fumar, mantendo-se o tratamento por cerca de três meses.
Esta terapêutica "não deve ser desintegrada de outros conselhos e apoios", devendo, por isso, os fumadores manter-se em consulta durante o período considerado necessário pelo médico.
Segundo o director da Faculdade de Medicina do Porto, seria possível evitar cerca de 400 milhões de mortes, a nível mundial, se nos próximos 20 anos metade dos fumadores deixasse de fumar.
"O intervalo entre o início do hábito de fumar até ao aparecimento de doença relacionada é de 20 a 40 anos", acrescentou Agostinho Marques.
Defendeu que o médico de família tem um papel fundamental na prevenção e no aconselhamento do fumador, alertando-o para a existência de ajuda especializada e adequada às suas necessidades, nomeadamente as consultas de cessação tabágica.
Em Portugal, os inquéritos nacionais de saúde, de 1998 e 2005, mostram que, nos homens, o hábito de fumar desceu de 32,8 por cento para 31 por cento, enquanto no mesmo período as mulheres fumadoras aumentaram de 9,5 por cento para 10,3 por cento.
Verificou-se também que o tabagismo é um problema maior na metade mais jovem da população portuguesa.
Na percentagem mais velha da população masculina também é claro o aumento do número de ex-fumadores, sugerindo que a maturidade e o aparecimento de doenças do tabaco levam muitos fumadores a abandonar o vício.
Estima-se que cerca de 55 por cento dois milhões de fumadores existentes em Portugal queira deixar de fumar.
O tabagismo é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo.
Na Europa, cerca de 700 mil pessoas morrem anualmente devido a doenças relacionadas com o tabaco.
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