O Estabelecimento Prisional (EP) de Angra do Heroísmo entrou, no início deste mês, numa nova fase de liderança com a nomeação de Renato Osório como diretor, pondo fim a um período marcado por “instabilidade” na direção de Norberto Colaço Rodrigues.
A saída do anterior diretor, que deixou Angra do Heroísmo para assumir funções em Silves, foi confirmada ao Açoriano Oriental por Frederico Morais, presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP).
A nomeação de Renato Osório está a ser bem recebida pelo SNCGP, que manifesta satisfação com a escolha. Segundo o sindicato, o novo diretor mantém uma boa relação institucional com os representantes dos guardas, fator considerado essencial para ultrapassar os problemas acumulados nos últimos anos. Além disso, Renato Osório faz parte da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP).
“O sindicato acredita que esta nomeação vai fazer a diferença no EP de Angra. Existe confiança na capacidade de Renato Osório para resolver os problemas de gestão prisional que se arrastam no estabelecimento”, referiu Frederico Morais.
Entre as situações apontadas como prioritárias está a organização dos procedimentos internos, nomeadamente no que diz respeito à administração de medicação aos reclusos.
O EP de Angra do Heroísmo é atualmente o único estabelecimento prisional do país onde a medicação continua a ser administrada fora do horário habitual, após as 19h, quando nos restantes estabelecimentos a indicação é para que este procedimento ocorra antes do fecho das alas, explica Frederico Morais.
Número de baixas dos guardas prisionais reduziu
Outro sinal positivo apontado pelo SNCGP prende-se com o regresso progressivo dos guardas prisionais ao serviço. Nos últimos dias, vários profissionais que se encontravam ausentes retomaram funções, estimando-se que a taxa de baixas ronde atualmente os 15%.
Atualmente, o EP de Angra conta com 78 guardas, enquanto o EP de Ponta Delgada tem 61 e a Cadeia de Apoio da Horta dispõe de 15.
De recordar que a gestão de Norberto Colaço Rodrigues foi muito criticada pelo SNCGP, tendo o sindicato denunciado que o diretor interino exercia uma liderança “autoritária e persecutória”, criando um ambiente de “pressão e medo” entre os guardas prisionais.
Além disso, em novembro de 2025, o presidente da SNCGP afirmou ao Açoriano Oriental que, caso a DGRSP não resolvesse a situação até ao final do ano, poderia haver uma greve dos guardas prisionais em Angra do Heroísmo, devido ao ambiente vivido naquele estabelecimento.
