"Continuamos a ter, até agora, notícias tranquilizadoras da situação da comunidade portuguesa na Venezuela", afirmou Paulo Rangel aos jornalistas, após a sessão de abertura do Seminário Diplomático, encontro anual de diplomatas portugueses, em Lisboa.
O governante reiterou que os cerca de meio milhão de membros da comunidade portuguesa, entre cidadãos nacionais e lusodescendentes, estão "numa situação de volatilidade" e que a responsabilidade do Governo é "cuidar deles", defendendo a necessidade de trabalhar para uma "solução que traga estabilidade".
“Alguns dos negócios que são dirigidos por portugueses já estão a abrir e a funcionar, isso é bom sinal”, comentou, referindo que “a comunidade portuguesa perdeu muito com os governos de [Hugo] Chávez e de Maduro, (…) tanto que muitos foram obrigados a regressar”.
Instado a comentar a legalidade da intervenção do Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, que depôs o líder venezuelano, Nicolás Maduro, Rangel reiterou que “Portugal respeita sempre e acha que se deve respeitar a legalidade e a Carta das Nações Unidas”.
No entanto, sublinhou, há “aspetos benignos”, desde logo “a queda de Maduro”.
“Desta intervenção, uma vez ocorrida, nós devemos tirar as conclusões que nos levem a poder criar um processo democrático que traga mais bem-estar para toda a Venezuela e para os portugueses que lá vivem”, comentou, incluindo trabalhar com os Estados Unidos para uma “solução política e governativa que traga estabilidade, traga segurança às pessoas e traga essencialmente um processo democrático”.
O chefe da diplomacia portuguesa recordou que Portugal não reconheceu a reeleição de Maduro nas presidenciais de 28 de julho de 2024, contestada pela oposição.
“Como nós dissemos que não reconhecemos o Presidente Maduro e que era um Presidente ilegítimo para nós, o Presidente legítimo será o Presidente Edmundo González”, afirmou.
Questionado se a Presidente interina, Delcy Rodriguez, antiga vice-presidente de Maduro, tem condições para fazer a transição, disse não ter dados para saber “se a solução de governo que existe vai ser capaz de fazer esse processo ou não”.
Os Estados Unidos lançaram no sábado “um ataque em grande escala contra a Venezuela” para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Horas depois do ataque, e não sendo ainda claro quem vai dirigir o país após a queda de Maduro, Trump admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.
Perante o tribunal em Nova Iorque, Maduro e Cilia Flores declararam-se inocentes das acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais. A próxima audiência está marcada para 17 de março.
A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro.
A UE defendeu que a transição política na Venezuela deve incluir os líderes da oposição Maria Corina Machado e Edmundo González, enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a ação militar dos EUA poderá ter “implicações preocupantes” para a região, mostrando-se preocupado com a possível “intensificação da instabilidade interna” na Venezuela.
