Ambiente

Ministro pede novas formas de encarar preço da água

Ministro pede novas formas de encarar preço da água

 

Lusa/AOonline   Nacional   14 de Out de 2008, 16:26

O ministro do Ambiente, Nunes Correia, pediu uma mudança de mentalidades na forma de encarar a factura doméstica da água pelas famílias, que estão disponíveis para custear outras despesas mais caras sem qualquer preocupação.
“As pessoas pagam fortunas por um serviço de telemóvel, mas quando pagam 10 euros por mês pela água duma casa de família, acham um escândalo. Há aqui uma mentalidade que tem que ser alterada”, defendeu.

    Nunes Correia falava à margem do 13º Encontro Nacional de Saneamento Básico, que começou esta terça-feira e decorre até sexta-feira, na Covilhã, reunindo autarcas, especialistas e empresas do sector.

    No encontro, o ministro apresentou a estratégia do Governo para novas sociedades gestoras de abastecimento de água ao domicílio.

    Questionado pela Agência Lusa sobre se prevê um aumento da factura a pagar pelo consumidor, Nunes Correia salientou que há situações distintas pelo país.

    “Não gosto desse dramatismo que se instala, de que a água vai subir. A água tem que caminhar para valores racionais e tem que haver tarifas com preocupações sociais, mas com sustentabilidade do sector”.

    “É preciso estar vigilante e atento à população que tem dificuldades em pagar. Mas é preciso introduzir racionalidade”, destacou, apontando o exemplo de locais onde “ainda se pagam cinco cêntimos por metro cúbico de água”, quando em municípios ao lado, em condições iguais, “pagam-se três euros”.

    “Há tarifas que precisam de descer, porque nalguns casos se ganha dinheiro indevidamente há custa deste sector, e há tarifas que precisam de ser reconduzidas a valores de equilíbrio”.

    Nunes Correia referiu que haverá orientações do Governo para chegar a esse equilíbrio, mas nunca uma “indicação única” de tarifa média para todo o país.

    “Não haverá indicação única de tarifa média. O que a lei já hoje diz é que deve haver um conjunto de orientações para as entidades gestoras (seja municípios ou outras) calcularem a sua tarifa e em cima disso pode haver medidas sociais”.

    “É isso que procuraremos regulamentar de uma forma um pouco mais específica”, sublinhou.

    Saldanha Matos, presidente da Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental admitiu que face às exigências de serviço crescentes, a tendência será para se tornar mais oneroso.

    “Se não houver aumento de tarifas, quer dizer que alguém está a subsidiar” porque é “muito difícil dar água de qualidade a distâncias cada vez maiores e cumprir mais exigências com tarifas como as actuais”, sublinhou.

    “Se se quiser um sistema sustentável, não subsidiado, são precisas mais receitas. Isto obriga alguém a pagar mais. Se é o consumidor ou através dos impostos, o importante é que seja de uma forma transparente”, concluiu.

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