Ministro do Ambiente é favorável às eólicas

Ministro do Ambiente é favorável às eólicas

 

Lusa/AO online   Nacional   4 de Out de 2007, 17:19

O ministro do Ambiente mostrou-se favorável à exploração eólica no Parque Natural de Montesinho, apesar de o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade ter proposto, no plano de ordenamento, a interdição desta actividade.
     Francisco Nunes Correia declarou, à margem da cerimónia de apresentação do Plano Nacional de Barragens, que o ICNB "não chumbou nenhum parque eólico, nem deu nenhum parecer desfavorável".

    "Está em elaboração o Plano de Ordenamento do parque e é isso que está em causa. Nesse plano, condiciona-se e limita-se a instalação de eólica, porque se trata de um parque natural", adiantou o ministro.

    No entanto, sublinhou, "o facto de ser um parque natural não significa que não se instale energia eólica. O que significa é que tem de ser instalada com muito mais cuidado, com muito mais atenção aos valores naturais que há a proteger".

    O regulamento do Plano refere explicitamente, no seu artigo 8 (actividades interditas) que "está proibida a instalação de parques eólicos, campos de golfe, oleodutos, teleféricos, funiculares e elevadores panorâmicos ou estruturas similares que descaracterizem significativamente a paisagem".

    Nunes Correia lembrou que "há uma grande apetência pelo eólico" e que do lado espanhol da fronteira, que não é parque natural, estão instalados muitos dispositivos para a exploração da energia eólica, "o que leva a questionar se não devem ser também colocados no lado português".

    Esta área protegida do Nordeste Transmontano despertou o interesse de um grupo irlandês que já apresentou um projecto para a instalação do que anunciou como "o maior parque eólico no mosaico europeu".

    O anúncio coincidiu com a conclusão da proposta do Plano de Ordenamento do PNM, que proíbe a instalação de parques eólicos, o que gerou contestação a nível regional, sobretudo das autarquias.

    O Plano de Ordenamento está em discussão pública até 17 de Outubro e o ICNB promoveu hoje em Bragança e Vinhais, os dois concelhos por onde se estende o PNM, sessões públicas de esclarecimento.

    Henrique Pereira dos Santos, responsável pelo processo do Plano de Ordenamento no ICNB, atribui as críticas que têm surgido "à questão da energia eólica, que gera fluxos financeiros importantes, sobretudo para autarquias e comissões de baldios que têm poucas receitas".

    O responsável entende que este tipo de investimento "desvaloriza a imagem de Montesinho", que considera ter mais capacidade de gerar emprego, nomeadamente ao nível do turismo da natureza e da paisagem do que os parques eólicos.

    Henrique Pereira dos Santos garantiu que o ICNB está aberto a todas a propostas que venham a ser apresentadas no período de discussão pública em curso e que todas serão consideradas no relatório de ponderação que o instituto vai apresentar ao Conselho de Ministros, a quem compete a decisão final.

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