Militares participaram em protesto incorrem nas "indicações" de 2006


 

Lusa / AO online   Nacional   23 de Nov de 2007, 16:07

O Chefe do Estado-Maior do Exército disse que os militares que participaram quinta-feira no protesto contra a política do Governo incorrem nas mesmas "indicações" aplicadas aos que participaram no "Passeio do Descontentamento" de 2006.
"Sobre esse assunto, não há qualquer comentário a fazer, as indicações sobre esta problemática e sobre o comportamento dos militares foram feitas há um ano e, sobre isso, nada mais há a dizer", declarou à Agência Lusa o general Pinto Ramalho, à margem da comemoração dos 75 anos do Instituto Geográfico do Exército (IGeoE).

"Não há nada a acrescentar àquilo que há um ano foi dito sobre esta matéria", concluiu.

Centenas de militares manifestaram-se, à civil, quinta-feira, em Lisboa, contra a política do Governo, nomeadamente os cortes de 21,6 por cento nas despesas com a saúde e de 17,4 por cento com os militares na reserva fixados no Orçamento de Estado para 2008 e a ameaça da "revisão do estatuto das carreiras".

O porta-voz do gabinete do Chefe do Estado-Maior do Exército, tenente-coronel Hélder Perdigão, assegurou, por seu lado, à Lusa, que não houve "qualquer comunicado, directiva ou orientação do Comando" sobre a participação de militares no activo no protesto de quinta, negando, assim, qualquer tipo de pressão sobre os participantes.

"Todos os militares que estão no activo conhecem as suas responsabilidades, seus direitos e deveres e, por isso, não necessitam deste tipo de orientações ou alertas", acrescentou.

Segundo a Comissão de Militares (COMIL), que organizou o protesto, desde 2006 registaram-se pelo menos 20 processos a militares que participaram há um ano no "Passeio do Descontentamento" e, desses, 16 cumpriram penas de detenção, por terem participado fardados no protesto.

O Chefe do Estado-Maior do Exército, em mensagem alusiva ao 75/o aniversário do IGeoE, classificou o Instituto como "uma casa moderna, de vanguarda, dotado de tecnologias recentes, de recursos humanos altamente qualificados" nas áreas da cartografia, informação geográfica e geoespacial.

Para o general Pinto Ramalho, estas áreas são um importante apoio "ao sistema de forças" nomeadamente às nacionais destacadas nos diversos teatros de operações.

O director do IGeoE, coronel José Rossas lembrou que os desafios lançados ao Instituto "só poderão ser vencidos se forem proporcionados os recursos humanos, tecnológicos e financeiros ajustados à dimensão dos mesmos".

Na cerimónia evocativa, foi apresentado o projecto "SERVIR" (Sistema de Estações de Referência Virtuais) no âmbito do qual podem ser obtidas coordenadas topográficas centimétricas inferiores a um centímetro, em menos de um minuto.

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