União Europeia

Miguel Portas diz que política de imigração europeia é "laboratório de políticas repressivas"


 

Lusa/AO online   Nacional   30 de Ago de 2008, 23:36

O eurodeputado bloquista Miguel Portas considerou que a política europeia de imigração está a ser construída "pelo telhado" e tende a funcionar como "campo de experimentação social" e "laboratório de políticas repressivas".
Numa intervenção no "Fórum de Ideias Socialismo 2008", realizado no Porto e que marca a rentrée política do BE, o eurodeputado procurou respostas para a pergunta "Como estamos de Europa?" e deu particular ênfase à questão da imigração.
Considerando que a União Europeia (EU) está investir "barbaridades de dinheiro" na detenção e repatriação de imigrantes, Miguel Portas disse que esta é uma política "construída pelo telhado". 
No espaço da União há 224 centros europeus de detenção de imigrantes, com capacidade para 30 mil ilegais.
"Primeiro trata-se da expulsão dos que chegam e depois pensa-se nos que lá estão", disse o bloquista que também criticou aS quotas de imigração, rotulando-as como algo "imbecil".
Para Miguel Portas, estas são políticas na "linha de água" do respeito pelos direitos humanos, constituindo um "enorme campo de experimentação social, em que o imigrante é cobaia".
Acabam por ser também "um laboratório para experimentação de políticas repressivas", afirmou, lembrando o caso do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, que chegou a ser censurado pelo Parlamento Europeu depois de avançar com recolha de impressões digitais dos indivíduos ciganos.
"Na questão da imigração, joga-se uma questão civilizacional", sublinhou ainda o eurodeputado.
Na sua intervenção, Miguel Portas alertou para a perda de peso das receitas próprias da UE nos orçamentos comunitários, com consequente aumento das compartições dos estados-membros, o que pode vir a constituir "a declaração de morte de qualquer projecto europeu pujante".
Recusando que nada haja a fazer para combater as perdas no modelo social europeu alegadamente por culpa da globalização, o eurodeputado frisou que o Parlamento Europeu a Comissão Europeia "deixaram de ser o laboratório de uma vontade comum para passarem a ser simples locais de arbitragem de interesses nacionais".
O eurodeputado bloquista considerou que numa Europa que deixou de ter os grandes económicos como "motor", "o problema da Esquerda é saber que outro pode ter. Esse motor não vejo que não possa ser outro se não o dos pobres e dos trabalhadores".

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