Metropolis: Novas facilidades de comunicação garantem ligação aos emigrantes

Metropolis: Novas facilidades de comunicação garantem ligação aos emigrantes

 

Lusa / AO online   Regional   11 de Set de 2011, 13:21

As novas “facilidades de comunicação” compensaram as perdas nas ligações entre os Açores e as comunidades de emigrantes, que eram garantidas no passado por um fluxo migratório permanente do arquipélago para a América do Norte.

"Graças a visitas num e noutro sentido e às facilidades de comunicação por telefone e pela Internet, os residentes nos Açores continuam a manter laços estreitos com as comunidades radicadas nos EUA e Canadá", afirmou à Lusa a socióloga Gilberta Rocha, responsável pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores, entidade parceira da 16.ª Conferência Internacional Metropolis, que começa na segunda-feira em Ponta Delgada.

Esta especialista salientou que a emigração de açorianos para a América do Norte tornou-se "residual" desde finais do século XX, mas admitiu que possa ser "retomada", à semelhança do que já acontece em relação ao Continente, devido à crise económica.

A Conferência Internacional Metropolis, o principal fórum mundial na área das migrações, vai debater na próxima semana os fenómenos migratórios atuais na perspetiva das sociedades de origem dos emigrantes, reunindo políticos, investigadores e organizações não governamentais, num total de cerca de 600 pessoas.

O diretor geral da Organização Internacional para as Migrações, William Swing, o primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, e o ex-comissário europeu António Vitorino são alguns dos participantes neste encontro internacional.

Para a diretora regional das Comunidades, Graça Castanho, esta reunião constituirá uma “chamada de atenção para problemáticas particulares das ilhas”, como as questões levantadas pela deportação para o arquipélago de emigrantes condenados em tribunais dos EUA e Canadá.

“Os países e os decisores políticos têm vindo a mudar as leis, tornando-as mais favoráveis aos emigrantes” em funções das posições assumidas pela conferência, frisou Graça Castanho em declarações à Lusa.

A diretora regional das Comunidades sublinhou igualmente que as políticas adotadas nos Açores no acolhimento de repatriados, na integração de emigrantes regressados e na preservação da cultura de origem nas comunidades radicadas no exterior são objeto de “estudo em escolas e universidades” portuguesas e estrangeiras.

Relativamente aos “laços” existentes entre os Açores e as suas comunidades, Graça Castanho apontou o caso do Brasil para indicar que, no Estado do Rio Grande do Sul, se mantêm tradições açorianas ancestrais e se vai celebrar em 2012 o 260.º aniversário da presença açoriana.

“Nos EUA e Canadá, as comunidades açorianas também mantêm uma marca de singularidade, apesar de ambos os países serem destinos de integração fácil”, acrescentou.

Graça Castanho destacou a relevância do debate sobre as problemáticas das migrações, alegando que, num mundo cada vez mais global, as “errâncias” fazem-se “em todos os sentidos e são imprevisíveis”.


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