Mesa Nacional do BE reúne-se hoje para debater migrações e política interna

Mesa Nacional do BE reúne-se hoje para debater migrações e política interna

 

Lusa/Ao online   Nacional   7 de Jul de 2018, 11:41

A Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, órgão máximo do partido entre convenções, reúne-se este sábado em Lisboa para debater “as cedências dos governos europeus à extrema direita”, relativamente aos migrantes, além de temas nacionais como a precariedade.

A dirigente do BE e eurodeputada Marisa Matias antecipou à Lusa que a reunião debaterá as conclusões do último Conselho Europeu (realizado na semana passada) como “o Governo alemão e o Governo da Áustria terem decidido a criação de campos de internamento para refugiados na região da Baviera, na fronteira com a Áustria” e que “terá que fazer levantar firmemente todos os defensores dos direitos humanos, porque é uma cedência do Governo alemão e de [Angela] Merkel à extrema direita".

Para Marisa Matias, está-se a assistir "a um discurso de extrema-direita racista e xenófobo no quadro da União Europeia e mesmo governos democráticos, insuspeitos de terem uma agenda dessa natureza, acabaram por confirmar um acordo que é no mínimo preocupante".

Nesse sentido, a dirigente criticou o Governo português: “não poderia ter assinado aquelas conclusões, as decisões do último Conselho [Europeu], porque é a confirmação e o agravamento de um atentado contra os direitos humanos e constituem uma derrota em toda a linha da política para um acolhimento solidário [de migrantes e refugiados].

A eurodeputada referiu ainda que esta situação acontece quando o próprio Conselho Europeu publicou os números relativos às chegadas de migrantes e refugiados ao território europeu, e segundo os quais caíram 95% de 2015 até à atualidade.

"Em 2015 foi o pico da guerra da Síria, mais de um milhão de pessoas, e agora estamos a falar de 45 mil pessoas. Não é aceitável que a União Europeia diga que não tem condições para acolher solidariamente estas pessoas", defendeu.

A dirigente não se alongou relativamente a temas nacionais que serão debatidos pelos bloquistas, mas reunião acontece um dia após o BE ter criticado no parlamento as medidas propostas pelo Governo para alterar a legislação laboral.

“A escolha é uma, vamos reverter as medidas da ‘troika’ que prejudicaram as condições do trabalho no privado e baixaram os salários para toda a gente ou vamos deixar que medidas negociadas com os patrões, à vigésima quinta hora, contrariem os passos que já tínhamos dado”, questionou na sexta-feira a coordenadora do BE, Catarina Martins, durante uma manifestação junto à Assembleia da República.

O encontro do BE realiza-se ainda na semana que antecede o debate sobre o estado da nação e quando já se iniciaram as reuniões com o Governo sobre o próximo Orçamento do Estado.

O BE é um dos três partidos que, juntamente com o PCP e o PEV, assinou posições conjuntas com o PS permitindo, em novembro de 2015, a viabilização do Governo.



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