Imobiliário

Mercado imobiliário britânico em dificuldades

O mercado imobiliário britânico está em dificuldades devido à crise do crédito, que desencadeou uma quebra nas vendas e a baixa de preços, mas para um investidor português este é o momento ideal para fazer negócios.


Desde Julho do ano passado, os preços das casas caíram 8,1 por cento, de acordo com um estudo recente do Nationwide, a pior descida desde que o banco começou a registar a evolução do mercado, em 1991.

    A situação é uma consequência da crise do crédito que explodiu no ano passado nos Estados Unidos e afectou fortemente as principais instituições financeiras do Reino Unido.

    Em consequência, muitas apertaram as condições para conceder empréstimos bancários e aumentaram o valor dos juros, o que dificulta a compra de casas.

    O resultado é uma queda abrupta no número de novas hipotecas, que desceu para apenas 36 mil em Junho, menos 70 por cento que ano passado, contabilizou o Banco de Inglaterra.

    Todavia, para investidores como Paulo Sacramento, “esta é uma boa altura para comprar casa porque se pode comprar mais barato”, garante à agência Lusa.

    “O mercado difícil é como uma aspirina para a economia: limpa as ervas daninhas e só sobrevive quem tem um bom modelo de negócio”, garante o português, fundador da Property Trading London.

    E Sacramento acredita que tem a fórmula ideal para o panorama actual: adquire casas “com um ar cansado” por um valor reduzido, renova e decora o interior e volta a colocá-las no mercado “em seis semanas”.

    O segredo está em empregar arquitectos, designers de interiores e operários que deixem um produto final de “nível elevado”.

    As casas são pintadas, decoradas com quadros e mobiladas e, se for necessário, os espaços comuns dos edifícios, como escadas, também são arranjados.

    “A boa apresentação é essencial e ajuda a valorizar”, esclarece.

    Outros truques para deixar uma impressão acolhedora aos potenciais compradores são, revela, os aromas, como velas, flores, cozinhar pão ou café fesco.

    O objectivo é que o período que medeia a compra e a venda se fique apenas pelos seis a sete meses, reduzindo custos com o empréstimo bancário e libertando fundos para o próximo projecto.

    Engenheiro civil de formação, Paulo Sacramento, de 36 anos, chegou à capital britânica em 2002, mas só se dedica a esta actividade há um ano, quando criou a própria empresa.

    Desde então já comprou seis propriedades e vendeu quatro, sempre na mesma área de Islington (norte de Londres) e sempre com lucro.

    “As vantagens do mercado britânico são a liquidez, a economia forte, uma comunidade qualificada e muito móvel, a imigração e as dificuldades em construir de novo”, enumera.

    Por isso está convencido que o sector “vai recuperar depressa”.

    “Há falta de confiança e há dificuldade para obter empréstimos”, admite o lisboeta, “mas a procura ainda é maior que a oferta.

    A experiência de Paulo Sacramento está a ser seguida por João Gaião, um finalista do curso de Gestão da Universidade Católica, que pondera em replicá-la em Portugal.

    Em troca de “uma ajuda ao nível da gestão”, João, de 23 anos, está a ”aprender o máximo possível” com o compatriota.

    “A ideia é talvez fazer o mesmo em Portugal, mas é difícil implementar o mesmo modelo porque o mercado de aluguer não é tão versátil e há um excesso de oferta”, analisa.

    O que João Gaião gostaria certamente de levar de volta consigo para Lisboa é o estilo de vida de Paulo Sacramento.

    O engenheiro civil despediu-se no ano passado de uma empresa britânica, onde trabalhou na construção de estradas e centrais nucleares.

    “Trinta dias de férias não bastavam e não gostava do horário das nove às cinco”, justifica.

    “Assim consigo trabalhar sete meses e ter cinco de férias”, regozija.
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