Menezes desafia notáveis do PS a insurgirem-se contra "atentados à liberdade"


 

Lusa / AO online   Nacional   9 de Out de 2007, 15:19

O líder eleito do PSD, Luís Filipe Menezes, manifestou-se hoje preocupado com casos como o ocorrido segunda-feira numa sede sindical na Covilhã e desafiou os notáveis do PS a insurgirem-se contra o que classificou como "atentados às liberdades".
    "Estamos a acompanhar estes casos [na Covilhã e em Montemor-o-Velho], que não são isolados, com muita preocupação. Estamos com um problema sério de liberdades e julgo que é altura de vozes do Partido Socialista como o Dr. Mário Soares, o Dr. Jorge Sampaio ou o Dr. Vera Jardim - referências da liberdade em Portugal - se insurgirem e se indignarem contra isto, que nunca na vida tinha acontecido em 30 anos de democracia", afirmou.

    Luís Filipe Menezes falava aos jornalistas em Coimbra, à entrada para um almoço com os nove presidentes de Câmara social-democratas, membros da direcção da Associação Nacional de Municípios Portugueses.

    "Estamos numa situação muito grave e o PSD, se não tiver explicações cabais no Parlamento ainda esta semana, poderá vir a utilizar todos os instrumentos que existem no Estado de Direito para censurar o governo numa matéria que é muito delicada", ameaçou o presidente eleito social-democrata, não esclarecendo, contudo, que medidas concretas poderão ser adoptadas.

    Ao acusar o governo de "perseguir sindicalistas", Luís Filipe Menezes considerou "caricato" que surja "um membro do governo quase a fazer uma manifestação contra o seu próprio governo, a abrir inquéritos contra a actuação da polícia".

    "A polícia merece-nos todo o respeito, mas há uma tutela na polícia, há uma responsabilidade política que decorre de existir um ministro da Administração Interna e um primeiro-ministro", salientou.

    O Sindicato dos Professores da Região Centro denunciou, segunda-feira, que "dois polícias à civil" entraram na sede da organização na Covilhã, para pedir informação sobre eventuais protestos a realizar no âmbito da deslocação do primeiro-ministro, prevista para hoje.

    O ministro da Administração Interna ordenou ao inspector-geral da Administração Interna a instauração de um processo de averiguações para apurar os factos verificados na Covilhã.

    Aludindo também a situações de "perseguições políticas a funcionários públicos" e ao caso DREN (Direcção Regional da Educação do Norte, onde um professor foi afastado alegadamente por piadas sobre o primeiro-ministro), o presidente eleito do PSD considerou que se assiste a "uma tentativa de hegemonização do poder em Portugal, de cerceamento das liberdades, muito, muito grave".

    "Acho que o problema é mais sério dentro do Partido Socialista - não acredito que estas referências que eu aqui foquei, pessoas que lutaram tantos anos pela liberdade em Portugal possam estar tranquilas perante estes atentados gravíssimos à liberdade em Portugal. Estou a imaginar a indignação de homens como Mário Soares ou Jorge Sampaio", sustentou Luís Filipe Menezes.
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