Alemanha

Maquinistas iniciam greve mais longa da história dos caminhos-de-ferro

Maquinistas iniciam greve mais longa da história dos caminhos-de-ferro

 

Lusa / AO online   Internacional   14 de Nov de 2007, 11:41

Os maquinistas alemães iniciaram ao fim da manhã de quarta-feira a mais ampla e mais longa greve nos caminhos-de-ferro alemães, que durará 62 horas e se destina a exigir um contrato colectivo próprio e aumentos salariais de cerca de 30 por cento.
A greve teve início nos comboios de mercadorias a partir das 12:00 (11:00 em Lisboa), e estender-se-á aos comboios de passageiros - de longo curso, regionais e urbanos - a partir das 02:00 (01:00 em Lisboa) de quinta-feira.
Pouco antes de os maquinistas interromperem o trabalho, a administração dos caminhos-de-ferro alemães (DB) exortou o respectivo sindicato (GdL) a regressar à mesa das negociações.
Os representantes dos maquinistas já tinham anunciado anteriormente que só aceitam retomar o diálogo se a DB melhorar a sua oferta, que inclui aumentos salariais de 10 por cento, mas com a contrapartida de mais oito horas de trabalho mensais.
Além disso, a DB recusa negociar um contrato colectivo separado com os maquinistas, alegando que estes constituem apenas cinco por cento do total dos 300 mil trabalhadores da empresa, e que isso conduziria a divisões entre o pessoal, e a uma onda de reivindicações.
"A solidariedade no interior da empresa seria destruída, e não podemos permitir isso", disse hoje, em Berlim, o director de logística da DB, Norbert Bensel.
 Entretanto o presidente do gdL, Manfred Schell, já advertiu que o sindicato "não conseguirá resistir à pressão dos seus filiados para se começar uma greve por tempo ilimitado", se a DB, a partir do próximo fim-de-semana, não fizer uma proposta melhorada aos representantes dos maquinistas.
O GdL agrupa cerca de 12 mil maquinistas da DB, e há mais oito mil maquinistas com o estatuto de funcionários públicos, que pertencem a outro sindicato, mas devido ao seu estatuto não podem aderir a greves.
Além disso, estão ainda filiados no GdL quase 20 mil revisores e restante pessoal de bordo dos comboios, que também reivindicam aumentos superiores aos 4,5 por cento já negociados pelo Transnet, o sindicato que agrupa a grande maioria dos ferroviários alemães, e pelo DGBA, sindicato dos funcionários públicos, com a administração da DB.
Responsáveis do Transnet advertiram contra o risco de a DB proceder a grandes reduções de pessoal, no âmbito da divisão da empresa em várias holdings para a privatização parcial de 25 por cento do seu capital já decidida pelo governo, mas actualmente num impasse.
As principais confederações da indústria alemã advertiram entretanto que dezenas de milhares de trabalhadores de numerosas empresas poderão ter de entrar em regime de trabalho precário, se a greve nos comboios de mercadorias se prolongar e as componentes para a produção começarem a escassear.
Segundo cálculos do Instituto de Pesquisa Económica de Berlim (DIW), a greve dos comboios de mercadorias causará prejuízos entre os 25 e os 50 milhões de euros por dia à indústria alemã, que se agravarão consideravelmente se o conflito laboral se prolongar por várias semanas, adquirindo o efeito de uma bola de neve.
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