Venezuela

Machado diz que será eleita Presidente "quando chegar a altura certa”

A líder da oposição venezuelana e prémio Nobel da Paz 2025, María Corina Machado, afirmou que será eleita Presidente da Venezuela “quando chegar a altura certa”, numa entrevista ao canal televisivo norte-americano Fox News



“Acredito que há uma missão a cumprir e que transformaremos a Venezuela numa terra abençoada, e que serei eleita Presidente da Venezuela quando chegar a altura certa, e que serei a primeira mulher a ocupar esse cargo”, declarou, no programa “Fox and Friends Weekend”.

Pouco depois da captura do Presidente Nicolás Maduro, agora detido nos Estados Unidos, o chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, declarou que Machado, que tinha deixado secretamente a Venezuela em dezembro para receber o Nobel, não tinha qualificações para liderar o país.

Além disso, falou longamente esta semana com a Presidente interina do país, Delcy Rodríguez – a vice-presidente do regime de Maduro - a quem não poupou elogios, considerando-a “uma pessoa formidável”.

Segundo o diário norte-americano The New York Times, o diretor da CIA (agência de serviços secretos externos dos Estados Unidos), John Ratcliffe, reuniu-se na quinta-feira em Caracas com Delcy Rodríguez, que se encontra sob sanções norte-americanas.

“Quero servir o meu país onde puder ser mais útil”, disse María Corina Machado na entrevista à Fox News.

Inquirida sobre o que espera agora a Venezuela, respondeu: “A liberdade. E não apenas isso, vamos ter um país, como eu sempre digo, que será invejado pelo mundo inteiro”.

Na quinta-feira, Donald Trump ofereceu à líder da oposição venezuelana um almoço, que se realizou longe da comunicação social e após o qual ela lhe ofereceu a medalha do seu prémio Nobel.

“Ele merece-a. Foi um momento muito emotivo”, declarou depois à Fox News.

“A María deu-me o seu prémio Nobel da Paz pelo trabalho que eu fiz. Que magnífico gesto de respeito mútuo. Obrigado, María!”, escreveu o Presidente norte-americano na sua rede social, Truth Social.

O Instituto Nobel Norueguês sublinhou oportunamente na rede social X que o prémio Nobel da Paz “não pode ser retirado, partilhado ou transferido para terceiros”, mas que os laureados podem dispor como entenderem da medalha dourada associada à distinção.

“Uma medalha pode mudar de mãos, mas o título de laureado, não”, vincou.

Políticos de vários partidos noruegueses criticaram hoje a decisão da líder da oposição venezuelana de entregar a Donald Trump a medalha do prémio Nobel da Paz 2025, que recebeu no mês passado em Oslo.

“Embora Trump tenha aceitado a medalha, isso não significa que tenha ganho o prémio da Paz”, declarou a ex-ministra dos Negócios Estrangeiros e deputada liberal Ine Eriksen Søreide à radiotelevisão pública norueguesa NRK.

Em declarações à estação, o líder do Partido do Centro, Trygve Slagsvold Vedum, transmitiu a mesma ideia, comentando que a aceitação da medalha por Trump demonstra que ele é “o típico tolo que precisa de se apropriar das distinções e do trabalho dos outros”.

“Isto é, acima de tudo, absurdo e sem sentido”, afirmou Kirsti Bergstø, líder do Partido Socialista de Esquerda, que, juntamente com outra força de esquerda, o Vermelho, ambos aliados do Governo minoritário trabalhista, já tinha criticado a decisão de distinguir María Corina Machado.

“Agora a medalha Nobel está pendurada no escritório de Trump e, infelizmente, esta é uma consequência previsível da decisão do Comité Nobel”, declarou o porta-voz da política externa do Vermelho, Bjørnar Moxnes.

Moxnes manifestou-se a favor da reforma do Comité do Prémio Nobel da Paz, cujos cinco membros são nomeados pelo parlamento norueguês de seis em seis anos, com base no equilíbrio de poder na Câmara.

“Os membros do Comité Nobel Norueguês deveriam ser escolhidos em função das suas qualificações”, sustentou Moxnes.

O ex-presidente da Câmara de Oslo Raymond Johansen, atualmente à dirigente da organização não-governamental Ajuda Popular Norueguesa, também criticou hoje a entrega da medalha do Nobel da Paz 2025 por Machado a Trump, classificando o ato como “incrivelmente vergonhoso” e argumentando que tal manobra deslegitima o prémio.

“Isto é incrivelmente vergonhoso e prejudicial para um dos prémios mais prestigiados e importantes do mundo”, declarou o ex-autarca da capital norueguesa, que governou entre 2015 e 2023, numa mensagem nas redes sociais.

Segundo Johansen, a entrega da medalha do prémio é “tão politizada e potencialmente perigosa” que pode acabar por ter o efeito oposto ao da promoção da paz e do entendimento.

A líder da oposição venezuelana colocou a medalha do seu Nobel numa moldura com detalhes dourados e entregou-a a Trump, escrevendo na parte superior: “Com gratidão pela sua extraordinária liderança na promoção da paz”.

Acrescentou tratar-se de um gesto do povo venezuelano em reconhecimento das suas ações na abertura do caminho para “a sua liberdade”, segundo fotos da cerimónia de entrega na Casa Branca publicadas pelo diário The New York Post.

Outros laureados com o Nobel já doaram ou venderam os seus prémios, como noticiou hoje a comunicação social norueguesa.

Foi, por exemplo, o caso do escritor russo Dmitry Muratov, que em 2022 doou a quantia em dinheiro associada ao galardão para ajudar refugiados ucranianos.

Um dos casos mais recordados e polémicos é o do escritor norueguês Knut Hamsun, que em 1943 enviou a sua medalha do Nobel ao ministro da propaganda nazi, Joseph Goebbels.

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