59.º Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye

Luís Miguel Rego mira a vitória na Volta à Ilha de São Miguel

Com o título açoriano assegurado, Luís Miguel Rego encara a 59.º Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye sem a pressão do campeonato, mas com o objetivo assumido de vencer a prova mais emblemática do automobilismo açoriano



O pentacampeão dos Açores de ralis, Luís Miguel Rego, é apontado como o principal favorito à vitória na 59.ª Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye, prova organizada pelo Grupo Desportivo Comercial (GDC) que se disputa este fim de semana.

O piloto micaelense não nega o favoritismo que recai sobre si nem foge a essa responsabilidade, mas prefere sublinhar o mérito dos adversários que enfrentar na sétima prova do Campeonato dos Açores de Ralis, quarta do Troféu de Ralis de Terra dos Açores e Taça dos Açores de Ralis. 

“Se sou ou não sou o favorito, isso é algo que terão de dizer os restantes pilotos”, começa por dizer Luís Miguel Rego, acrescentando que “pelo histórico, pela experiência, pelos cinco títulos” regionais que soma, “é expectável que as pessoas assim o pensem”, declarou o piloto, em entrevista ao Açoriano Oriental. 

Rego destaca ainda a competitividade de outros pilotos que vão marcar presença na prova do GDC, como Henrique Moniz, que apesar de ter começado recentemente a competir com uma viatura Rally2, já disputa o Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) - uma experiência que, na sua opinião, faz “puxar o ritmo para cima”, ao contrário do que sucede no campeonato regional, onde este ano Luís Miguel Rego correu praticamente sozinho na sua categoria.

Com o título açoriano de 2026 já garantido, o piloto de 35 anos assume que chega à 59.ª Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye “descomprometido com lutas pelo campeonato”, o que lhe permite “encarar a prova de forma descontraída” e lutar apenas pela vitória. 

E é uma vitória que faz questão de sublinhar o significado emocional que tem para si: “É uma prova especial, um rali que me faz lembrar quando via o meu pai correr. Era uma daquelas provas que sempre idealizei um dia poder vencer e ficar na história da Volta à Ilha”, confessou.

Sobre o atual itinerário - uma versão mais curta da antiga edição europeia da prova, Rego considera que a organização  soube preservar a identidade do Azores Rallye na Volta à Ilha.

“Pegaram nas partes mais bonitas dos troços, as mais rápidas e fluidas, e fizeram um rali mais curto, mas sem perder a identidade”, referindo neste particular as classificativas de Sete Cidades, Tronqueira e Graminhais. 

Ainda assim, o piloto alerta que o formato mais curto da prova exige uma dose maior de concentração.

“É um rali sprint. Um furo, um erro, e já não há tantos quilómetros para recuperar. Temos de ser rápidos, mas sempre com muita cautela”, referiu Luís Miguel Rego.
Recorde-se que a 59.ª Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye conta com 102,94 quilómetros de troços corridos contra o relógio, distribuídos por 10 provas de especiais de classificação que serão percorridas nos dias 4 (sexta-feira) e 5 (sábado) de setembro.

Falta de apoio do Governo preocupa Luís Miguel Rego

Luís Miguel Rego deixou um alerta sobre a falta de investimento público no automobilismo açoriano, numa altura em que a 59.ª Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye é candidata a integrar o calendário do CPR em 2027. 

Para o piloto micaelense, o erro está em olhar para o evento apenas pela vertente desportiva.

“Quem menos ganha com este evento são os pilotos. Quem mais ganha é o comércio, são os empresários”, afirma, lembrando que a prova atrai equipas que alugam viaturas, comem, dormem e consomem na ilha, gerando retorno direto em impostos e receita para o comércio local, além do impacto publicitário para a promoção turística da região.

Luís Miguel Rego sublinha também que este tipo de evento ganha ainda mais relevância numa época em que se regista uma acentuada quebra na procura turística e num período em que os Açores entram na chamada época baixa. 

“Estamos a falar de um investimento com retorno a curto prazo, não a longo prazo”, defende, apelando a que tanto o GDC como o próprio comércio e empresários locais - afinal de contas, os maiores beneficiados com a realização de um evento desta natureza - façam chegar ao Governo Regional essa mensagem. 

“Não é apenas um evento desportivo, é muito mais do que isso”, remata Luís Miguel Rego, deixando o piloto micaelense o repto para que as entidades públicas olhem para o desporto automóvel, em geral, e esta prova em particular, como uma verdadeira alavanca económica para a região.


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