O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) de Ponta Delgada foi o primeiro hospital do país a apresentar um robô cirúrgico de 5.ª geração, num investimento de 2,9 milhões de euros financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O robô apresentado pelo presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, é um modelo IS5000 – Intuitive Da Vinci 5, que está dotado com o mais avançado sistema de cirurgia robótica atualmente em aplicação.
Segundo informação fornecida pelo Governo Regional dos Açores, o novo robô cirúrgico de 5.ª geração incorpora mais de 150 inovações tecnológicas.
São disso exemplo a visualização tridimensional de alta-definição ou a
maior precisão, que aumenta a segurança e eficácia dos procedimentos
cirúrgicos.
“Um pequeno sonho tornado realidade”
Durante a apresentação oficial do novo robô cirúrgico de 5.ª geração, José Manuel Bolieiro afirmou em declarações aos jornalistas que este “é um pequeno sonho tornado realidade para este hospital e para os cirurgiões”.
José Manuel Bolieiro lembrou igualmente que “estamos perante o primeiro robô cirúrgico de 5ª geração em Portugal”, salientando que “hoje é esta a condição pioneira que o Hospital do Divino Espírito Santo apresenta com este robô cirúrgico para várias cirurgias”. E para além das vantagens ao nível da saúde dos utentes, o presidente do Governo Regional destacou igualmente as vantagens que este novo robô cirúrgico pode trazer ao Serviço Regional de Saúde, atraindo médicos pela possibilidade de utilizarem a mais avançada tecnologia em aplicação na atualidade.
“Os cirurgiões que temos sentem-se, por isso, também atraídos a estarem no Serviço Regional de Saúde”, afirmou o presidente do Governo Regional. E para os mais jovens, lembrou José Manuel Bolieiro, o novo robô cirúrgico passará mesmo a ser uma “atração” para o HDES e para o Serviço Regional de Saúde, configurando uma importante oportunidade de “capacitação digital” para os novos médicos.
Com a apresentação durante o dia de
ontem do novo robô cirúrgico de 5.ª geração do HDES, José Manuel
Bolieiro concluiu a sua intervenção, lembrando o cumprimento de mais um
marco e meta do PRR nos Açores.
Robô “não é um brinquedo”
Por seu lado e para o médico cirurgião Luís Bernardo, o novo robô cirúrgico de 5.ª geração representa “o passo seguinte que nos faltava em termos de diferenciação em equipamentos cirúrgicos”. E conforme salientou Luís Bernardo, “a cirurgia robótica não é propriamente um brinquedo, é um avanço tecnológico grande que nós podemos ter” na prática cirúrgica, com a vantagem de “conjugar o melhor de dois mundos”. Luís Bernardo é adjunto da direção clínica do HDES e é também o gestor do processo de implementação da cirurgia com o robô Da Vinci de 5.ª geração, até ela se tornar rotina no hospital.
Em declarações aos jornalistas, Luís Bernardo explicou que “a cirurgia robótica conjuga duas coisas: uma cirurgia imersiva em que nós temos uma visão tão aproximada daquilo que estamos a operar quanto aquela que é a normal do cirurgião, ao mesmo tempo que é minimamente invasiva”.
Para este médico cirurgião do HDES, o novo robô cirúrgico “também abre um leque de potencialidades que nos eram impossíveis até agora, como a possibilidade de estarmos a fazer uma cirurgia em tempo real com o apoio de alguém ainda mais diferenciado do que nós, que tem acesso de uma forma encriptada à mesma cirurgia e que nos pode ajudar em tempo real em termos cirúrgicos”.
Refira-se que a cirurgia robótica já representa a indicação máxima para determinados tipos de cirurgia oncológica e as instituições que têm esse tipo de equipamento acabam por se diferenciar ainda mais em termos da cirurgia que fazem e dos resultados que obtêm na redução das complicações cirúrgicas e no tempo de estadia do paciente no hospital.
Conforme
salienta Luís Bernardo, “todas as grandes instituições já fazem a maior
parte dos procedimentos oncológicos por cirurgia robótica e faltava-nos
dar esse passo” no HDES. Um passo que, concluiu, “felizmente chegou”.
As especialidades que irão beneficiar da cirurgia robótica
Mas servirá a cirurgia robótica para todo o tipo de operação? Quais são as especialidades que vão beneficiar desta nova tecnologia de última geração que o HDES passa a dispor?
Conforme explicou o médico cirurgião Luís Bernardo, este equipamento de última geração está certificado a nível europeu para a cirurgia da cabeça e do pescoço, para a cirurgia urológica, para a cirurgia geral, para cirurgia esofago-gástrica, para a cirurgia hepato-bilio-pancreática, para a cirurgia bariátrica, para a cirurgia complexa da parede abdominal, para a ginecologia obstetrícia e ainda para a cirurgia cardiotorácica, “que nós não temos ainda mas que ambicionamos vir a ter”, afirma o médico cirurgião do HDES.
Além disso, destaca Luís Bernardo, o robô cirúrgico de que o HDES agora dispõe é “o único equipamento que está certificado para uso no adulto e na criança, o que é uma mais-valia”.
Portanto,
numa fase inicial, as especialidades que irão utilizar este novo robô
cirúrgico são a otorrinolaringologia, a urologia, a cirurgia geral e a
ginecologia. Mais tarde e conforme as especialidades forem necessitando,
“vai-se ampliando a sua utilização dentro do que está certificado
internacionalmente”, afirma Luís Bernardo.
É preciso formação para operar com o robô
Tratando-se de uma tecnologia de última geração, o novo robô não irá começar a operar pacientes sem ajuda externa antes do mês de novembro, devendo os próximos dois meses ser dedicados à formação e certificação dos médicos do HDES para poderem operar com o robô.
Segundo explica Luís Bernardo, “durante dois meses há um processo de certificação em que cada cirurgião terá uma ‘password’ de entrada, que é atribuída pela empresa-mãe e terá que fazer uma série de simulações - como acontece com os pilotos de aviação quando fazem a credenciação para novos aparelhos - até que a própria empresa certifique que o cirurgião está apto a utilizar o aparelho sem limitações”.
A partir daí, prossegue Luís Bernardo, começa a segunda parte da formação, “que é a cirurgia in vivo, com experts na área que já têm essa certificação e que estarão ao nosso lado para fazer os diferentes tipos de cirurgia, pelo que só depois disso é que a equipa passará a ser autónoma para continuar a operar os doentes, sem ajuda externa”.
Nesse sentido, conclui o médico cirurgião, “nós apontamos para o início de novembro para a primeira cirurgia”, no sentido de “dar tempo suficiente para a certificação das equipas”, sendo que há um cirurgião na consola, a dirigir o robô e há outro cirurgião que fica junto do doente, podendo ambos trocar de posições.
