A Autoridade Regional de Saúde dos Açores garante que o aumento de casos de gastroenterite na ilha de São Miguel, pela presença do norovírus não é alarmante.
Pedro Paes, da Autoridade Regional de Saúde explicou ao jornal Açoriano Oriental que tem sido feito um acompanhamento diário dos casos e, de facto, registou-se um “aumento de casos na ilha de São Miguel”, mas a confirmação da presença do vírus norovírus em amostras realizadas tranquiliza, no sentido de que as medidas adotadas são as corretas: “Desde o início que já suspeitávamos que o norovírus seria um dos principais agentes causadores e agora tivemos a confirmação. Isto traz-nos alguma segurança, no sentido de entendermos e de termos a noção que a estratégia adotada, desde o início, é a correta e adequada para esta situação”. Portanto, a “validação, em termos da análise, só vem reforçar a mais-valia das medidas já implementadas e que estão a ocorrer em toda a ilha de São Miguel e nas outras ilhas que têm tido situações semelhantes”, sublinhou.
Pedro Paes salienta que “felizmente na maioria das situações, são eventos de sintomatologia ligeira, autolimitada, o que também nos dá alguma segurança”. As ilhas do Faial, Pico e São Miguel são as que registam casos de gastroenterite, mas, ainda assim, a Autoridade Regional de Saúde está a fazer “um acompanhamento diário em todas as ilhas dos Açores”, disse.
Pedro Paes refere ainda que “não temos um aumento do número de internamentos exclusivamente devido a esta síndrome. Poderá haver situações pontuais, mas, muitas vezes estão associadas a outras doenças que podem provocar um desequilíbrio no próprio tempo que leva a um internamento para compensação e recuperação”.
A Autoridade Regional de Saúde, em articulação com as unidades de saúde de ilha, tem tido um “especial cuidado e uma intervenção direcionada à população vulnerável, como por exemplo, os lares de idosos, as creches e ATL”. Desta forma, tem sido feita uma “estratégia de contacto direto nas medidas de prevenção e, na eventualidade de se detetar alguma situação, proceder-se logo ao isolamento e à correta definição de estratégias para quebrar esta cadeia de transmissão”, porque o importante é “quebrar a cadeia de transmissão”.
Sendo, na maioria, situações de sintomatologia ligeira, os sintomas mais comuns são vómitos, diarreia, alguma náusea e indisposição. No entanto, “as pessoas devem estar atentas a situações que se prolonguem por mais tempo do que o normal, que são as 24/ 48 horas”.
Nesta linha de sintomatologia ligeira, a Autoridade Regional de Saúde recomenda que as “pessoas tentem o autocuidado, fiquem em casa, não se desloquem logo para os serviços de urgência, porque também poderá causar algum constrangimento em termos do tempo de atendimento”.
Assim, para qualquer dúvida “têm ao dispor a Linha Saúde Açores ou podem contactar, telefonicamente, a sua unidade de saúde ou o seu médico de família”.
A Autoridade Regional de Saúde
reafirma que não existe evidência que permita associar os casos à água
da rede pública de abastecimento, até porque a “confirmação da presença
de norovírus ajuda ainda mais a termos essa linha de ação”, bem como,
“em articulação direta com as entidades reguladoras da água e com todas
as entidades que superintendem a gestão das águas para consumo, têm sido
feitas análises regularmente e estão todas normais, ou seja, a água
está própria para consumo”.
